22 fevereiro 2022
Qual a idade certa para alfabetizar a criança? - Texto para a Schooladvisor
A maior parte dos pais, e até dos educadores, ignora a complexidade do processo de alfabetização. Ele é um processo longo e as respostas simples, em geral são enganadoras. Uma resposta simples? A alfabetização deve ser iniciada aos 6 anos e estar completa até os 8 anos. Há literatura mostrando que o resultado acadêmico “médio” piora quando as crianças não estão alfabetizadas até os 8 anos. Isso provavelmente se relaciona com o fato que a maior parte da experiência acadêmica será intermediada pela leitura a partir dessa idade. Parece fácil entender que crianças alfabetizadas e letradas (o letramento é o domínio da linguagem escrita aplicada na sociedade) terão melhor desempenho acadêmico dos nove anos em diante, do que crianças que até essa idade, não são capazes de entender uma receita de bolo ou um artigo simples do livro escolar.
Por outro lado, não há evidências de que começar antes dos 6 anos traga alguma vantagem. Há inclusive suspeitas que pressionar uma criança que ainda não está pronta para a alfabetização, pode gerar um desempenho acadêmico ruim inclusive no longo prazo. Quando visitei escolas em Londres, tomei conhecimento desse debate. Lilian Katz, pesquisadora americana, sugeriu que o fato que meninos na média terem um desempenho acadêmico pior que as meninas, está relacionado com uma menor habilidade manual motora aos 5 anos, e quanto mais pressão uma sociedade faz sobre as crianças para ler e escrever cedo, enquanto ainda não tem maturidade para isso, maior o risco desta criança passar a se enxergar como inepta para a escola. Na “média” os meninos acabariam sendo vítimas mais frequentes dessa imaturidade e inclusive, vendo como uma “característica típica de menina” ter sucesso na escola. A discussão é complexa, porque passa também pela forma como a sociedade e os professores diferem no tratamento dos gêneros na escola.
Existe um processo de maturação neurológico nas crianças, e ele não ocorre simultaneamente e de maneira idêntica em todas as crianças. Ainda assim, vamos insistir que ANTES NÃO É MELHOR, sendo profundamente individual o DESPERTAR dos mecanismos necessários à leitura. A alfabetização é um processo que começa pela capacidade fonológica de discernir os sons e esse processo se inicia muito antes de qualquer tentativa sistematizada de alfabetizar. Bebês começam a formar as sinapses envolvidas na percepção dos fonemas ANTES DO NASCIMENTO. Assim, a “alfabetização” não se limita ao processo formal apresentado pela escola. Ao afirmar que a alfabetização escolar deve se iniciar aos seis anos, o que na verdade estamos dizendo é que AOS SEIS ANOS, A IMENSA MAIORIA DAS CRIANÇAS ESTARÁ “NEUROLOGICAMENTE MADURA” para iniciar o processo de alfabetização. São capazes, do ponto de vista motor e cognitivo, de ler e escrever. Esse é um longo caminho, até os adultos tem a capacidade de aprender novas regras gramaticais. Quem sabe o que é “vc” ou “blz”, entende o que estou dizendo.
Para entender mais um elemento dessa história, vamos considerar que as crianças orientais, para aprender a imensa quantidade de ideogramas e logogramas que compõe esse tipo de escrita, começam os quatro anos, a ter contato com esses símbolos. Isso é claro não quer dizer que elas estejam alfabetizadas. Também no Brasil, muitas escolas e famílias começam a introduzir os símbolos das letras e números aos quatro, cinco anos. A criança descobre a letra “A” ou a letra “D” que compõe seu nome, mas essa pequena peça, é apenas isso, uma pista no longo processo. Uma criança pode facilmente aprender a ler pronunciando “raiz de 9”, mas certamente, isso não implica que entenda o que o símbolo significa.
Finalmente, um terceiro componente do processo de alfabetização, é evidenciado atualmente nas escolas bilíngues. Ler é o processo de traduzir símbolos escritos em fonemas, pronunciá-los em sequência e compreender que esse procedimento gera palavras, iguais aquelas que usamos ao falar. Ao unir essas palavras, temos significado. Ao longo do tempo, o cérebro se tornará preparado para realizar essa tarefa envolvendo outras áreas, como a memória visual, e assim, será capaz de autocompletar palavras ou perceber erros de grafia. Como apontado pelo neurocientista Stanislas Dehaene, a mágica dessa compreensão ocorre apenas uma vez. Uma criança alfabetizada em português, não precisa vivenciar todo o processo de alfabetização em inglês (apesar da diferença de fonemas e significados). Na verdade, após dominar o processo em uma língua, poderá usar a ferramenta para melhor aprender a outra.
Tendo considerado tudo isso, como ficamos? A resposta simples continua. Aquela alfabetização sistemática da escola, para todas as crianças, começa aos seis anos. Só isso? Não. As famílias podem auxiliar nesse processo de muitas formas. Desde muito cedo, conversando com as crianças, usando palavras claras e mostrando o rosto ao falar. Exatamente por isso, as telas não são bons substitutos e apesar da hipnose que despertam em crianças pequenas, já se sabe que mais atrapalham do que ajudam. Pior ainda que os pais atualmente tendem a ficar na tela e conversar menos com os filhos. Após uma pandemia e ainda com a maior parte das bocas cobertas por máscaras, é essencial ficar atento aos possíveis problemas de fala que podem estar ocorrendo com as crianças e buscar um profissional se necessário. Uma criança que não tem consciência fonológica, e confunde o p com o b ao falar, poderá também ter trocas na hora de escrever.
Além disso, ensinar as crianças que símbolos existem e tem significados pode ajudar, mas cuidado com a pressão desnecessária. Ler livros é uma excelente ferramenta, pois além de ampliar vocabulário, cria uma relação de prazer com a leitura e evidencia que há um mundo maravilhoso por trás dos rabiscos. Finalmente, ter consciência desses processos e de alguns riscos que existem em forçar a leitura precoce, deveria libertar as famílias da pressão para que os filhos estejam entre os primeiros a ler ou escrever. Entendo que sejamos apaixonados por nossos filhos e assim naturalmente os comparemos com outras crianças esperando destaque do pequeno em todas as áreas. Felizmente cada criança é única, tem tempos diferentes, vidas, sonhos e potenciais diferentes. Respeitá-las é permitir que cada uma explore esses aspectos, em seu tempo.
Artigo enviado por Carlos Lavieri da Peak School by Colégio Itatiaia
01 dezembro 2021
Volte aos hábitos saudáveis.
Diabetes tipo 2, cresceu 16% no mundo em 2020. A doença matou em 2021, mais do que o Covid (desde que ele surgiu). Esta associada a falta de exercìcios e alimentação errada.
"Ficar em casa" gerou alguns habitos que precisamos abandonar. Saia do netflix, e volte aos exercícios, as caminhadas. Coma menos ifood.
Nem tudo é um ataque a sua pessoa.
Fique em paz. Muitas vezes as pessoas são desagradáveis, porque a vida delas anda péssima. Basicamente somos autocentrados. Estamos preocupados com nossos umbigos quando somos grossos, e os outros com os umbigos deles, quando recebem a grosseria.
Como interpretamos o que é passado também diz muito mais sobre nós do que sobre quem agiu.
O outro age mediante suas próprias referências e nós aob as nossas.
É muito libertador saber isso.
Eu sempre digo: podia ser pior! Podia ser eu essa pessoa amarga e burra! Mas não! Meu mundo volta ao seu normal quando ela sai da minha frente. Já essa pessoa tem de aguentar este inferno que ela engendra em todos os lugares onde ela vai - inclusive quando está sozinha.
Uma praga.
A proposta PEAK SCHOOL do Colégio Itatiaia.
A PEAK SCHOOL - peakschool.com.br está funcionando com a nova proposta do ensino fundamental. Mais detalhes aqui em breve.
11 junho 2020
ISOLAMENTO
Isolamento.
Isolar, do latim insula, tornar uma ilha. Como se já não fossemos? Algum
homem não é uma ilha? Todo homem é uma ilha.
“Nenhum homem é uma ilha, todo em si; cada homem é uma partícula do continente, uma parte da terra; se um torrão é arrastado para o mar, a Europa fica diminuída, como se fosse um promontório, como se fosse a casa dos teus amigos ou a tua própria; a morte de qualquer homem diminui-me, porque sou parte do gênero humano. E por isso não perguntes por quem os sinos dobram; eles dobram por ti.”
“Nenhum homem é uma ilha, todo em si; cada homem é uma partícula do continente, uma parte da terra; se um torrão é arrastado para o mar, a Europa fica diminuída, como se fosse um promontório, como se fosse a casa dos teus amigos ou a tua própria; a morte de qualquer homem diminui-me, porque sou parte do gênero humano. E por isso não perguntes por quem os sinos dobram; eles dobram por ti.”
John Donne escreveu acamado, cercado de mais uma das muitas ondas da Peste Negra que assolaram a Europa desde 300 anos antes. E nós aqui preocupados com a segunda onda! Ele riria de nós? Fala, confirmo na Wikipedia, dos sinos que tocavam a cada novo funeral. Sino que se perdeu, diante da obsessão dos números. 418.919 até esse dia 11. Alguém realmente liga? Somos 7,790,547,028, mas já somos 7,790,547,033, segundos depois. Quem ainda se sente parte de um continente, diante da nossa desumanização? Estou aqui de novo, pessoa cercada de pandemia por todos os lados, todo em mim.
Minha
ilha ainda guarda algum tesouro? Surge no recesso, a oportunidade de assistir
um programa na Netflix sobre piratas. Parece que não era hábito enterrar
tesouros em ilhas desertas, sendo preferível gastá-los em outras ilhas, onde a
solidão é ainda mais real, mas na companhia de moças e garrafas de rum. Ainda
assim, nunca se sabe. Talvez ainda tenhamos tesouros guardados nas nossas
pequenas ilhas. Tenho saudades do velho normal, quando faltava tempo para
vasculhar a busca de ouro e podíamos culpar o cotidiano por não o encontrar.
Agora o cotidiano resume-se a preparar refeições, ajudar nas lições on line
e pouca introspecção. O tempo das buscas interiores, gastamos debatendo números
do COVID ou no Netflix. Aprende-se sempre algo sobre os piratas.
30 setembro 2019
Primavera x
Vc sabe o que é a primavera x?
Até onde pude apurar, foi enviado um pedido de socorro ao espaço, e uma mensagem foi recebida na terra em resposta. Um grupo está se organizando na agência secreta, mas diversas pessoas já estão recebendo o chamado para transformar o mundo.Os escolhidos estão sendo ativados.
https://primaverax.org.br - O mundo pediu socorro e os escolhidos já estão em movimento com a primavera x. .
Até onde pude apurar, foi enviado um pedido de socorro ao espaço, e uma mensagem foi recebida na terra em resposta. Um grupo está se organizando na agência secreta, mas diversas pessoas já estão recebendo o chamado para transformar o mundo.Os escolhidos estão sendo ativados.
https://primaverax.org.br - O mundo pediu socorro e os escolhidos já estão em movimento com a primavera x. .
24 dezembro 2015
Groundhog Year - Meus votos aos coxinhas e mortadelas.
E 2016?
Nunca fiz uma lista dos 10 melhores filmes, mas se fizesse, certamente o Feitiço do Tempo (Groundhog Day) figuraria na lista. Comédia romântica pouco pretensiosa, com o desagradável Bill Murray, fazendo o papel de um também desagradável Phil Connors, um homem preso no tempo, condenado a reviver o mesmo também muito desagradável dia. O filme, do qual pouco se espera, coloca a partir de uma historinha ingênua, algumas das mais interessantes questões filosóficas que há. Se você não assistiu, assista.
2015 foi um ano estranho. Como país, como sociedade, pouco se fez e regredimos em vários aspectos. Felizmente 2016 está ai, mas apesar das esperanças de muitos, parece que será um repeteco de 2015. Dilma continuará, Cunha continuará, Renan continuará, o plano para enfrentar a crise econômica é o mesmo de 2015, a CPMF continua espreitando, as projeções são de queda em PIB e desemprego, e a Lava Jato continuará tornando ar o que era sólido, o clima de beligerância entre mortadelas e coxinhas mantem-se, os debates vão cada vez mais rasos,... as esperanças "liberais" apostam num incerto impeachment que chacolhe o tabuleiro, mas sabem que a cura não será rápida, nem indolor e se não forem ingênuos sabem também que há muita coisa errada que não vai acabar com a troca da presidente. Mesmo os eleitores Dilmistas que não querem que ela saia, pois temem uma troca para pior, não se mostram esperançosos com grandes melhoras vindas do governo em que votaram, mostrando apenas um silencioso pasmo com o futuro. Parecemos condenados a reviver o mesmo ano novamente, não apenas em 2016, mas pelos próximos três anos, até que outras eleições apareçam.
E é ai que eu penso em Phil Connors.
..
Se estamos presos em 2015, condenados a reviver o inferno, façamos como Phil Connors. Se nada muda ao nosso redor, somos nós que temos de mudar, e é em nós que deve ocorrer a transformação que nos libertará dessa situação tragicômica. Em 2016 eu tenho apenas um desejo. Desejo que as pessoas ao meu redor se perguntem como fazer diferente e façam. Sugiro a todos que escolham algumas causas e as defendam. Que organizem comboios para ajudar o pessoal do Vale do Rio Doce, que no final de semana plantem árvores nas ruas, que façam hortas comunitárias, que peçam melhores direitos aos animais ou caso achem essas bandeiras "coisa de esquerda vegetariana", que convidem velhos amigos perdidos para um churrasco e participem de grupos de vigilância sobre as contas dos governos. Se são capitalistas puros que acreditam apenas na força do capital, que façam sua doação para ONGs e voluntariem-se para ministrar aulas de empreendedorismo. Sugiro que olhem para as pessoas ao redor e vejam que estas também compartilham preocupações parecidas com as suas, mesmo que as vezes tenham opiniões muito diferente.
Da minha parte, desejo pouco de 2016 e muito dos que estão a minha volta. Convido a todos a me ajudar a fazer um mundo melhor nesse 2016. Um feliz natal para nós e o 2016 que realizaremos.
Nunca fiz uma lista dos 10 melhores filmes, mas se fizesse, certamente o Feitiço do Tempo (Groundhog Day) figuraria na lista. Comédia romântica pouco pretensiosa, com o desagradável Bill Murray, fazendo o papel de um também desagradável Phil Connors, um homem preso no tempo, condenado a reviver o mesmo também muito desagradável dia. O filme, do qual pouco se espera, coloca a partir de uma historinha ingênua, algumas das mais interessantes questões filosóficas que há. Se você não assistiu, assista.
2015 foi um ano estranho. Como país, como sociedade, pouco se fez e regredimos em vários aspectos. Felizmente 2016 está ai, mas apesar das esperanças de muitos, parece que será um repeteco de 2015. Dilma continuará, Cunha continuará, Renan continuará, o plano para enfrentar a crise econômica é o mesmo de 2015, a CPMF continua espreitando, as projeções são de queda em PIB e desemprego, e a Lava Jato continuará tornando ar o que era sólido, o clima de beligerância entre mortadelas e coxinhas mantem-se, os debates vão cada vez mais rasos,... as esperanças "liberais" apostam num incerto impeachment que chacolhe o tabuleiro, mas sabem que a cura não será rápida, nem indolor e se não forem ingênuos sabem também que há muita coisa errada que não vai acabar com a troca da presidente. Mesmo os eleitores Dilmistas que não querem que ela saia, pois temem uma troca para pior, não se mostram esperançosos com grandes melhoras vindas do governo em que votaram, mostrando apenas um silencioso pasmo com o futuro. Parecemos condenados a reviver o mesmo ano novamente, não apenas em 2016, mas pelos próximos três anos, até que outras eleições apareçam.
E é ai que eu penso em Phil Connors.
Se estamos presos em 2015, condenados a reviver o inferno, façamos como Phil Connors. Se nada muda ao nosso redor, somos nós que temos de mudar, e é em nós que deve ocorrer a transformação que nos libertará dessa situação tragicômica. Em 2016 eu tenho apenas um desejo. Desejo que as pessoas ao meu redor se perguntem como fazer diferente e façam. Sugiro a todos que escolham algumas causas e as defendam. Que organizem comboios para ajudar o pessoal do Vale do Rio Doce, que no final de semana plantem árvores nas ruas, que façam hortas comunitárias, que peçam melhores direitos aos animais ou caso achem essas bandeiras "coisa de esquerda vegetariana", que convidem velhos amigos perdidos para um churrasco e participem de grupos de vigilância sobre as contas dos governos. Se são capitalistas puros que acreditam apenas na força do capital, que façam sua doação para ONGs e voluntariem-se para ministrar aulas de empreendedorismo. Sugiro que olhem para as pessoas ao redor e vejam que estas também compartilham preocupações parecidas com as suas, mesmo que as vezes tenham opiniões muito diferente.
Da minha parte, desejo pouco de 2016 e muito dos que estão a minha volta. Convido a todos a me ajudar a fazer um mundo melhor nesse 2016. Um feliz natal para nós e o 2016 que realizaremos.
01 dezembro 2015
O Falso Inimigo
As redes sociais se especializaram em criar o "falso inimigo". O falso inimigo é o camarada que quer a volta da ditadura militar, é a velhinha de Higienópolis que não quer a chegada do metro, é finalmente, e exemplo máximo, o camarada que quer o "fim dos privilégios para os deficientes". É o camarada que usa a liberdade de expressão para falar muito mal de outros grupos.
A verdade é que esse inimigo não é importante, é caricato, existe em números mínimos (quando existe mesmo, como vimos no caso dos direitos dos deficientes, um péssimo "anti-viral" de quem é a favor dos direitos e não contra), em suma, não tem qualquer representatividade. É uma minoria, que não dá 9% da população... e normalmente não passa dos 1%. Ele merecia viver no limbo do esquecimento e pronto.
Mas...
O falso inimigo é muito conveniente... ele é conveniente para que você possa expressar a sua humanidade e a sua indignação, onde não há praticamente controvérsia. Todo mundo compartilha feliz que não quer a ditadura (seja a bolivariana, seja a militar), vai no churrasco de gente diferenciada, fala mal dos sem noção que querem o fim dos privilégios dos deficientes, reclama dos carrocratas e da cegueira de quem não é a favor do corredor de ônibus. Participar de uma bandeira de verdade, se mexer por uma causa de verdade, dá muito mais trabalho do que protestar sobre o fim da humanidade porque tem um camarada que pede a ditadura neonazista cortando o cabelo e tatuando uma suástica.
Isso é claro, tem um problema. Acaba-se dando voz para essa minoria estúpida. Milhares de pessoas compartilhando essa indignação, acabam fazendo movimentos risíveis ganharem legitimidade. Mas esse para mim, não é o problema principal... o problema principal associa-se a deslegitimação do debate pela postura dos extremos. O falso inimigo também é MUITO conveniente para o grupo que defende o extremo oposto daquela posição. Nada ajuda mais a causa dos que querem instalar uma ditadura de esquerda, do que uma filmagem de uma milícia de direita se preparando para a batalha. Ou você está conosco, ou contra nós.
De repente cidadão que estava lá protestando contra a Dilma (que praticamente só tem reprovação) é igualado ao camarada que acha que a tortura não existiu. De repente você que acha que o estado mínimo não é legal, é igualado aos três sem noção que querem uma ditadura bolivariana no Brasil. De repente, o pedreiro protestante pentecostal que vai a igreja em busca de comunidade e comunhão, é igualado ao pentecostal que fica pregando que os gays vão pro inferno. De repente, todos os muçulmanos são igualados à meia dúzia de terroristas. E isso é péssimo. É péssimo porque a maior parte das pessoas age fazendo parte de um grupo, com ideais de um grupo, identificando-se com esse grupo, e construindo sua vida, na lógica desse grupo. Já está mais do que demonstrado que uma parcela grande das pessoas age estupidamente, se o grupo ao qual pertence assim o fizer. E se for profundamente divulgado que o meu grupo tem uma ideia imbecil, corro o risco de acabar aceitando isso.
Imaginemos um crente hipotético da religião A.
Ele pode achar que sendo um fiel da igreja A, tem que ter as posturas dos outros fieis da igreja... a igreja prega o amor e o respeito ao próximo (todas pregam), mas na internet o que aparece não é isso, aparece que a igreja desrespeita as outras e é contrária a adoção de crianças por gays. Isso é o que reverbera e é divulgado. Esse cidadão terá agora que ser forte, para não adotar uma postura sobre a qual nunca refletiu. É a Ignorância Pluralística em ação. Na missa de domingo, o pastor/ministro/sacerdote, poderá ainda reforçar isso, pois viu nas redes sociais, que esse tipo de questão "dá ibope".
E o triste fato é que depois que a pessoa "assumiu" uma posição, fica muito mais complicado de debater com ela. Depois que o camarada concluiu que os casais homo afetivos não devem poder adotar crianças, a conscientização fica muito mais complicada. Se as pessoas pensassem "isentas" sobre temas como esse, onde a única controvérsia é o preconceito. Seria muito mais simples de formarem posições pensadas e não de anuência ao grupo.
Assim, faço esse texto como um pedido simples. Ao ver uma posição completamente absurda nas redes sociais, segure seu ímpeto de compartilhá-la, você pode estar reforçando a causa, ao invés de enfraquecê-la.
A verdade é que esse inimigo não é importante, é caricato, existe em números mínimos (quando existe mesmo, como vimos no caso dos direitos dos deficientes, um péssimo "anti-viral" de quem é a favor dos direitos e não contra), em suma, não tem qualquer representatividade. É uma minoria, que não dá 9% da população... e normalmente não passa dos 1%. Ele merecia viver no limbo do esquecimento e pronto.
Mas...
O falso inimigo é muito conveniente... ele é conveniente para que você possa expressar a sua humanidade e a sua indignação, onde não há praticamente controvérsia. Todo mundo compartilha feliz que não quer a ditadura (seja a bolivariana, seja a militar), vai no churrasco de gente diferenciada, fala mal dos sem noção que querem o fim dos privilégios dos deficientes, reclama dos carrocratas e da cegueira de quem não é a favor do corredor de ônibus. Participar de uma bandeira de verdade, se mexer por uma causa de verdade, dá muito mais trabalho do que protestar sobre o fim da humanidade porque tem um camarada que pede a ditadura neonazista cortando o cabelo e tatuando uma suástica.
Isso é claro, tem um problema. Acaba-se dando voz para essa minoria estúpida. Milhares de pessoas compartilhando essa indignação, acabam fazendo movimentos risíveis ganharem legitimidade. Mas esse para mim, não é o problema principal... o problema principal associa-se a deslegitimação do debate pela postura dos extremos. O falso inimigo também é MUITO conveniente para o grupo que defende o extremo oposto daquela posição. Nada ajuda mais a causa dos que querem instalar uma ditadura de esquerda, do que uma filmagem de uma milícia de direita se preparando para a batalha. Ou você está conosco, ou contra nós.
De repente cidadão que estava lá protestando contra a Dilma (que praticamente só tem reprovação) é igualado ao camarada que acha que a tortura não existiu. De repente você que acha que o estado mínimo não é legal, é igualado aos três sem noção que querem uma ditadura bolivariana no Brasil. De repente, o pedreiro protestante pentecostal que vai a igreja em busca de comunidade e comunhão, é igualado ao pentecostal que fica pregando que os gays vão pro inferno. De repente, todos os muçulmanos são igualados à meia dúzia de terroristas. E isso é péssimo. É péssimo porque a maior parte das pessoas age fazendo parte de um grupo, com ideais de um grupo, identificando-se com esse grupo, e construindo sua vida, na lógica desse grupo. Já está mais do que demonstrado que uma parcela grande das pessoas age estupidamente, se o grupo ao qual pertence assim o fizer. E se for profundamente divulgado que o meu grupo tem uma ideia imbecil, corro o risco de acabar aceitando isso.
Imaginemos um crente hipotético da religião A.
Ele pode achar que sendo um fiel da igreja A, tem que ter as posturas dos outros fieis da igreja... a igreja prega o amor e o respeito ao próximo (todas pregam), mas na internet o que aparece não é isso, aparece que a igreja desrespeita as outras e é contrária a adoção de crianças por gays. Isso é o que reverbera e é divulgado. Esse cidadão terá agora que ser forte, para não adotar uma postura sobre a qual nunca refletiu. É a Ignorância Pluralística em ação. Na missa de domingo, o pastor/ministro/sacerdote, poderá ainda reforçar isso, pois viu nas redes sociais, que esse tipo de questão "dá ibope".
E o triste fato é que depois que a pessoa "assumiu" uma posição, fica muito mais complicado de debater com ela. Depois que o camarada concluiu que os casais homo afetivos não devem poder adotar crianças, a conscientização fica muito mais complicada. Se as pessoas pensassem "isentas" sobre temas como esse, onde a única controvérsia é o preconceito. Seria muito mais simples de formarem posições pensadas e não de anuência ao grupo.
Assim, faço esse texto como um pedido simples. Ao ver uma posição completamente absurda nas redes sociais, segure seu ímpeto de compartilhá-la, você pode estar reforçando a causa, ao invés de enfraquecê-la.
02 outubro 2015
Estudos divulgados nas redes sociais normalmente são mal feitos e distorcidos, diz estudo.
Certamente você já viu aquele estudo que diz que pais bonitos tem filhas... tem também aquele que diz que o primeiro filho é mais inteligente, aquele outro que diz que crianças criadas comendo alface e não chocolate é mais saudável (e mais infeliz), ou aquele outro com fotos da energia das águas azuis de um riacho que receberam pensamentos positivos (limpas e lindas) em comparação às águas do Tiete, maltratadas com xingamentos, cartazes depreciativos, fotos nuas na web e bullying generalizado... Mas o estudo mais revolucionário de todos é esse, elaborado pelos pesquisadores do Nobullshit Reseach Center, diz o seguinte... notícias divulgando estudos na WEB, via matérias de site caça cliques, em geral são homéricas besteiras e não resistem a um segundo de raciocínio.
Sobre as conclusões do estudo, o chefe de pesquisa John Bohannon, deu a seguinte declaração: Leia Mais:http://ciencia.estadao.com.br/noticias/geral,pesquisa-que-revelou-que-chocolate-emagrece-e-farsa-do-proprio-autor,1697132Leia Mais:http://ciencia.estadao.com.br/noticias/geral,pesquisa-que-revelou-que-chocolate-emagrece-e-farsa-do-proprio-autor,1697132
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Sobre as conclusões do estudo, o chefe de pesquisa John Bohannon, deu a seguinte declaração: Leia Mais:http://ciencia.estadao.com.br/noticias/geral,pesquisa-que-revelou-que-chocolate-emagrece-e-farsa-do-proprio-autor,1697132Leia Mais:http://ciencia.estadao.com.br/noticias/geral,pesquisa-que-revelou-que-chocolate-emagrece-e-farsa-do-proprio-autor,1697132
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18 agosto 2015
Carol e o conto de fadas
Breve explicação: Como tarefa da disciplina de história dos contos de fadas, do curso de Pedagogia, foi solicitado um conto de fadas. Fazia muito tempo que não escrevia um texto que não tivesse as quatro patas bem cravadas no chão. Foi divertido fazer esse, que agora compartilho.
Pobre Carol. A menina estava aflita ante o inexorável avanço do relógio. Encontrava-se diante de um grande desafio. Não era tarefa simples, como enfrentar monstros e dragões, segurando uma pequena espada élfica. Não era também tarefa realmente inimaginável, como dormir num esquife de vidro, cercada de homúnculos, por séculos a espera de um príncipe, de trajes estranhos e provável mau hálito. Não era finalmente um passeio, como cruzar mares e montanhas gélidas em busca de um cálice ou de uma lâmpada. Se bem que, metaforicamente, muito se aproximava de buscar uma lâmpada. Era um tanto mais complicado que tudo isso: era tarefa de casa. A professora havia deixado de lição, escrever um conto de fadas.
Pobre Carol. A menina estava aflita ante o inexorável avanço do relógio. Encontrava-se diante de um grande desafio. Não era tarefa simples, como enfrentar monstros e dragões, segurando uma pequena espada élfica. Não era também tarefa realmente inimaginável, como dormir num esquife de vidro, cercada de homúnculos, por séculos a espera de um príncipe, de trajes estranhos e provável mau hálito. Não era finalmente um passeio, como cruzar mares e montanhas gélidas em busca de um cálice ou de uma lâmpada. Se bem que, metaforicamente, muito se aproximava de buscar uma lâmpada. Era um tanto mais complicado que tudo isso: era tarefa de casa. A professora havia deixado de lição, escrever um conto de fadas.
Sim, Carol encontrava-se diante do vazio, sentada em sua mesinha, com a tarde já acabando, a cata de ideias que preenchessem as páginas em branco e satisfizessem o sacrifício exigido pela mestra. Ela preferia o shopping com as amigas, mas era domingo, e em breve a noite teria tomado tudo, sua mãe a mandaria para a cama, com dentes escovados e um beijo de boa noite, selando o destino de aluna relapsa. As ideias porém não se deixavam apanhar facilmente, e Carol permanecia ali, já por tantos séculos quanto imaginava que duravam os feitiços de congelamento. A professora não imaginava a dificuldade que impusera. Deve ter considerado fácil pensar num conto de fadas. Há tantos por ai, com aranhas malvadas e espertos macacos na África, com Djinns vingativos, alabastro e gemas no Oriente, com donzelas cativas em largos castelos na Romênia, com bonecas e sabujos falantes no Brasil, com ratos velhos e cegos, com texugos, macacos mancos e belos cisnes, com tartarugas em violas e urubus em festa, entre tantos outros. Ignorava a professora que milhares de anos foram necessários para que tais histórias tomassem forma. Ignorava que essas estórias não estão ao alcance da mão, para serem escritas com prazos, correção e nota de entrega. Ignorava que aos treze, a infância era algo a ser evitado.
Em seu desespero, Carol começou a
vasculhar as gavetas da escrivaninha, que fora de sua avó, em busca de qualquer
objeto que lhe desse uma dica. A criatividade é a mãe e a filha da ontologia, uma
imagem redonda, uma bola de sabão ao contrário, que não explode, mas se forma
do nada, onde nada havia, agora há, da desordem para a ordem, desafiando a
entropia e deixando Platão, Planck e Maxwell boquiabertos. E não é que ali,
entre papeis velhos, adesivos da Disney e Gloss, estava um velho anel, de pedra
azul. Ao coloca-lo no dedo, o cômodo foi tomado de névoa e uma luz difusa, no
canto do olho, uma figura materializou-se.
- Quem é você? – Perguntou a
menina.
- Oras, não está evidente? O dia
é do solstício, o momento é do crepúsculo, a neblina cobre os campos e o pó de
pirlimpimpim brilha em minha algibeira. Sou sua fada madrinha. – Ofendeu-se a translucida
senhora.
- Minha fada madrinha? E vai me
ajudar? E vai me salvar? – Inquiriu a pequena Carol.
- O que lhe aflige, núbil moça? Pelos
andrajos que a juventude traja nos embalos de sábado à noite, presumo que não
se trate de vestido para o baile? Atualmente, ninguém mais pede cocheiros, só
taxi, e para isso há app´s muito mais eficientes. – Desabafou a fada.
- Bem, preciso compor um conto,
uma “Storytelling”, com figuras,
narrativa, e tudo o mais. Isso é para amanhã, e já se passou um tempão, sem que
nada tivesse me ocorrido, exceto uma história boba envolvendo um encontro de
Klingons e Jedi´s.
- “StoryTelling”? O mundo vai mesmo no descaminho. – Suspirou a fada.
Carol entregou as folhas em
branco.
- Melhor se afastar - disse a fada - Palavras
em si já tem poder, e palavras escritas são uma mágica ainda mais poderosa.
Dito isso agitou sua varinha, e
um clarão tomou a sala. Expressões misteriosas saíram de sua boca. Coisas como
“Focus, Ocus Pocus, Pipiti popiti bum, abracadabra, Pé de pato, mangalô três
vezes, abre te sésamo, por favor, com licença... ” e muitas outras palavras
mágicas.
- Pensamentos felizes. – Brincou a fada,
olhando para a menina.
As letras começaram a preencher
a página. O conto tomou forma. A lição estava pronta. O conto era incrível,
lição de moral, muitas metáforas, metonímias, aliteração e manobras recursivas,
personagens bem construídos e nada que tivesse sido plagiado da internet. Nota
dez com certeza.
- Evitei as onomatopeias, pois me irritam. -
Disse a Fada.
Carol não sabia o que eram onomatopeias,
nem se importava, o que provavelmente foi um erro. Agradeceu a mítica figura e
foi para a cama satisfeita com o trabalho. Ainda assim não pousou nos braços
de Morfeu. Enquanto fingia dormir, e trocava mensagens com as amigas pelo
celular, ouviu ao fundo o velho relógio da sala. Blém, Blém, Blém... 12
badaladas. Frio na barriga. Uma ideia terrível lhe ocorreu. Saiu da cama e foi
verificar o trabalho. Aparentemente o mesmo não resistiu à onomatopeia. Estava
tudo em branco. Voltara a ser o que fora antes, como a carruagem de Cinderela.
Apavorou-se, mas teve um estalo.
Sentou-se no computador e descreveu o encontro com a fada, história que não
havia desaparecido e rendeu uma nota sete. Serviu como um sapatinho de cristal.
Fonte das imagens: Produzidas pelo autor.
Carlos Amorim Lavieri
Carlos Amorim Lavieri
19 junho 2015
Brasil e o Cartão de Crédito
O TCU diz que Dilma andou dando o golpe na lei de responsabilidade fiscal... aumentam as apostas sobre o Impeachment.
Mas vocês entendem o quanto isso explica o Brasil?
Em um resumo básico, o governo Brasil vive no rotativo do Cartão de Crédito desde 1980 (ou seja, paga o mínimo mensal para poder continuar tomando emprestado dos bancos)... TODOS os nossos governantes, só fazem aumentar esse dívida e a postura geral da esquerda no País é de achar que é por ai mesmo, lutando sempre por um estado maior, e com mais gastos públicos (um bocado contraditória, já que culpam os rentistas dos bancos pelos males do país, sem perceber que eles são apenas um lado da equação, inexistente se os governos tivessem a preocupação de acabar com a dívida pública). Nossa pretensa direita (conservadora ou não) também gosta de estado grande, já que aqui não temos liberalismo de verdade e estado grande abre oportunidade para favorecimentos dos amigos.
Em um resumo básico, o governo Brasil vive no rotativo do Cartão de Crédito desde 1980 (ou seja, paga o mínimo mensal para poder continuar tomando emprestado dos bancos)... TODOS os nossos governantes, só fazem aumentar esse dívida e a postura geral da esquerda no País é de achar que é por ai mesmo, lutando sempre por um estado maior, e com mais gastos públicos (um bocado contraditória, já que culpam os rentistas dos bancos pelos males do país, sem perceber que eles são apenas um lado da equação, inexistente se os governos tivessem a preocupação de acabar com a dívida pública). Nossa pretensa direita (conservadora ou não) também gosta de estado grande, já que aqui não temos liberalismo de verdade e estado grande abre oportunidade para favorecimentos dos amigos.
Veja por exemplo a lei de responsabilidade fiscal (a que Dilma parece ter burlado, segundo o TCU).... de forma simples, o objetivo da lei não é acabar com a dívida pública, mas obrigar os governantes a não torrar tudo, e deixar uma parte da grana para pagar o rotativo do cartão de crédito (o tal superávit primário).
Enquanto isso, Clovis Rossi, hoje na FSP, cita um estudo da UFBA que aponta que o pais pagou 3,584 trilhões em juros, no mesmo período em que investiu 861 Bilhões (contas atualizadas desde 1980)... dito de outra forma, para se manter funcionando, sempre gastando mais do que tem, nossos governos torram muito mais do que arrecadam, investem pouco no país, e depois promovem a concentração de renda, pagando altas remunerações aos rentistas dos bancos. Ai vão na TV posar de defensores dos pobres em briga com os malvados banqueiros e capitalistas.
A solução qualquer pessoa que se endividou além da conta sabe, é apertar os cintos e cortar os gastos (isso esse governo e esse congresso não pensam em fazer), ao invés de por a culpa na empresa de Cartão de Crédito. Mas Dilma andava correndo o risco de não ser reeleita, achou por bem gastar um pouco mais no cartão de crédito para poder fazer uns favores aos setores apoiadores amigos.
Sejamos honestos, devia sim sofrer o impeachment.
REFORMA POLÍTICA DE VERDADE
A palavra "dizimar", tem a mesma origem da palavra "dízimo", e resume a prática romana de matar um em cada 10 soldados, caso haja suspeita de covardia do destacamento no enfrentamento do inimigo. Essencialmente a prática romana buscava diminuir o "risco de agência", em que uma parte dos soldados prefere agir em benefício próprio, e não em prol do povo romano (que os sustentava).
Para mim, é absolutamente evidente que tanto nosso congresso, quanto outras esferas da coisa pública andam precisando de alguma prática com mecanismo similar.
Não sei como seria o mecanismo, mas a única reforma política de verdade é aquela em que o homem público enfrentará algum problema real se agir de forma a beneficiar-se ao custo da sociedade.
O resto (tanto a versão defendida pelo PT, quanto a do Cunha ou a do PSDB), são fumaça, em que tudo muda, para que nada mude.
31 maio 2015
Sobre aquele 1%... (ou sobre os outros 99%).
Novamente leio que para cada bilionário, há 670 mil pessoas na extrema pobreza. A informação é apresentada como se uma coisa fosse completamente vinculada a outra... como se os ricos causassem os pobres. Na verdade, eu também passei muito tempo achando que o segredo da vida era pegar a riqueza e dividir. Que isso por si só, resolveria os problemas do Brasil.
Proponho então um exercício mental, para compreendermos o que realmente estamos falando.
Vamos encarar a situação do homem mais rico do mundo, o sr. Bill Gates. Chegou a hora de distribuir a riqueza dele...
Ele é um super bilionário pois é dono de uma fortuna em ações da Microsoft. Vamos então hipoteticamente confiscá-las e distribuir essa riqueza?
O que se faz com "ações da Microsoft"? Podemos vendê-las na bolsa (mas isso não faz muito sentido se o objetivo é reduzir o número de pessoas que são "proprietárias")... além disso, o confisco, e a venda jogariam o preço das ações no chão (você colocaria seu capital em algo que os governos decidiram tomar?)... Será que o ativo avaliado em 200 bilhões, agora valeria quantos bilhões? Digamos mesmo que se faça algo ainda mais simples... entregar as ações para as pessoas, individualmente, dando a posse de algumas ações para cada um. Não tentariam todos transformar isso em dinheiro? Se há uma avalanche de ações no mercado, o preço não desaba? E se, ao contrário, elas apenas "guardarem" as ações, que diferença isso fará para os beneficiados pela distribuição. A Microsoft é dona de terras? De ouro? De poços de petróleo? O que estamos "tomando", se pensamos em "distribuí-la"?
Bem, então o segredo talvez seja apropriar-se da empresa em si, e não somente das ações.... Os governos tomariam para si a Microsoft e se preocupariam em gerir a empresa, em garantir seu sucesso e em distribuir os lucros anuais entre as pessoas que precisam (note que já não estamos mais distribuindo os bilhões do Bill Gates, mas apenas o seu lucro). Pegadinhas: Os lucros provavelmente cairiam... empresas geridas pelo estado são menos eficientes que as privadas, produzem bem menos inovação, e ainda são frequentemente pilhadas pelos gestores (ilegalmente, mas também legalmente, pois os salários pagos são concentradores de renda (os funcionários públicos brasileiros ganham bem melhor que a população média e muitas vezes acabam virando exatamente essa casta* que os discursos contra a desigualdade querem combater)).
Então, se parece arriscado distribuir os resultados financeiros, poderíamos distribuir os produtos da microsoft de graça.... mas já não é isso que faz o pessoal do Linux?
Puxa, o concorrente entrega o produto de graça?!?
E ainda assim o Sr. Bill Gates consegue uma empresa lucrativa?!?! Como??!
Pense sobre isso por um segundo... Será que a empresa dele só é o que é porque "explora os trabalhadores"?
O verdadeiro segredo é a inovação... constante busca das empresas privadas, pressionada pela lógica do lucro. A inovação muda o mundo e melhora a vida de todos... gerando lucros absurdos para os "capitalistas". A verdade é que a inovação capitalista fez muito mais pelo mundo do que todas as tentativas de melhorá-lo pela distribuição de riquezas. Foi o avanço capitalista na área de computação e telefonia que permitiu as populações rurais ter um telefone (e vem permitindo também um Smartphone com acesso a educação gratuita) e não a preocupação dos governos em distribuir dinheiro ou falar em banda larga para todos.... Na mão dos governos telefonia era uma catástrofe.**
O mérito é muito maior para quem busca melhorar os produtos e entregar as pessoas o que elas querem, do que para quem "acha" que a população precisa disso ou daquilo e tenta suprir essas demandas via impostos recolhidos exatamente de quem produz.
Finalmente, o Sr. Bill Gates, além dos impostos que paga, distribui 3 bilhões todos os anos (um valor muito próximo do lucro que obtém), para o combate a malária e outras doenças tropicais em países extremamente pobres. Vc realmente acha que esse arranjo está ruim? Realmente as pessoas acreditam que é a existência dos ricos que produz os pobres? O mundo estaria melhor sem Bill Gates?
Ele deve ser excessão... vejamos o resto da lista de bilionários:
O mundo estaria melhor sem eles?
Sem os criadores do Google (e sem o Google)? Sem o Wal Mart? Sem as companhias telefônicas mexicanas? Sem a Amazon? Sem a Oracle? Sem o Carrefour? Sem a Blomberg?
Essas são as empresas dos maiores bilionários do mundo. Como dividir a riqueza que representam suas ações? Quanto vale uma rede varejista gigante sem a constante preocupação de torná-la a cada dia melhor para quem compra por lá? Quanto vale a Blomberg sem o capital humano que a compõe? E o Facebook?
O problema do mundo não é a existência do bilionário... O problema é transformar os 670 mil na pobreza em pessoas capazes de fazer parte do grupo mais bem remunerado. Até sou favorável a mais impostos sobre "propriedade" (em especial improdutivas e heranças), mas vamos entender como funciona o jogo... vamos entender que quando se aumentam os impostos sobre os ricos, na prática aumentamos os impostos sobre as empresas dos ricos, e aumentar o imposto sobre o Carrefour ou sobre a Telmex, na prática é aumentar os preços dos produtos consumidos pelos pobres. Vamos entender que o bolsa família é legal (e é mesmo), mas quando o pessoal fala em redistribuição, muitas vezes vende uma ilusão, que serve para que uma parte da elite (em geral no governo), sugue mais um pouco a economia em proveito próprio.
*Claro, o funcionário público tem mais estudo que a população média também. Em resumo, eles são a elite, mas afinal, estamos querendo um mundo sem elite, ou não?
**É interessante notar que atribui-se a um russo, em plena união soviética, a invenção do celular... Leonid Kupriyanovich. Mas inovar não é apenas inventar, mas por seu produto a prova em um sistema de concorrência econômica.Foi o sistema de recompensas monetárias do capitalismo americano que levou a disseminação do celular no mundo e não a paixão socialista do lado soviético.
24 março 2015
E se o Alckmin fosse PT?
Se o Alckmin fosse PT, não havia crise hídrica. O que existiria seria uma revolta da parcela mais rica da população, diante do fato que a distribuição de água aumentou e mais pessoas carentes hoje tem água limpa e potável. Nunca antes, tanta gente teve acesso a água e esgoto... mas agora que essa população está podendo consumir água livremente, esse pessoal que não gosta de ver pobre com acesso a água limpa e tratada, fica ai em suas piscinas reclamando da falta de água. Antes uma parte significativa da população não tinha água nunca, agora, eles são atendidos, mesmo que eventualmente falte um pouco de água.... mas democraticamente, agora falta água para os ricos também...
Vamos largar de ser mesquinhos gente... esse negócio de falar em diminuição do consumo de água, racionamento, captação de água plúvial é coisa de elite branca da Vila Madalena e de Pinheiros que não quer que a população pobre tenha acesso a água limpa e tratada.
Certamente que as promessas do governador na campanha foram um pouco exageradas, mas sabemos que ele teve de agir assim porque era a única maneira de ganhar a eleição e continuar melhorando a vida dessas pessoas.
É claro que se o Alckmin fosse PT, aquela abaixo assinado pedindo o impeachment do governador seria golpismo, contra a opinião das maiorias, que o elegeram.
Obs 1: Em 1995 havia 4,1 milhões de ligação de água. Em 2005 eram 6,5 milhões e em 2012 eram 7,7 milhões. O volume de água tratada também passou de 1,8 bilhões de litros (2005), para 3 bilhões de litros (2013).
Obs 2: Esse é um texto irônico, mas esse nível de argumentação tem aparecido com frequência. Sejamos honestos, muito pouca gente tem problemas de preconceito com a melhora na distribuição de renda, ou com o fornecimento de mais serviços à todas as classes sociais, mas quando a infraestrutura começa a não aguentar o tamanho da demanda, é hora de investir na mesma e não de ficar dizendo que quem faz críticas a essa falta de infraestrutura, não gosta de pobre.
Fontes:
http://empresaspublicas.imprensaoficial.com.br/balancos/sabesp/sabesp2006.pdf
http://empresaspublicas.imprensaoficial.com.br/balancos/sabesp/sabesp2013.pdf
Vamos largar de ser mesquinhos gente... esse negócio de falar em diminuição do consumo de água, racionamento, captação de água plúvial é coisa de elite branca da Vila Madalena e de Pinheiros que não quer que a população pobre tenha acesso a água limpa e tratada.
Certamente que as promessas do governador na campanha foram um pouco exageradas, mas sabemos que ele teve de agir assim porque era a única maneira de ganhar a eleição e continuar melhorando a vida dessas pessoas.
É claro que se o Alckmin fosse PT, aquela abaixo assinado pedindo o impeachment do governador seria golpismo, contra a opinião das maiorias, que o elegeram.
Obs 1: Em 1995 havia 4,1 milhões de ligação de água. Em 2005 eram 6,5 milhões e em 2012 eram 7,7 milhões. O volume de água tratada também passou de 1,8 bilhões de litros (2005), para 3 bilhões de litros (2013).
Obs 2: Esse é um texto irônico, mas esse nível de argumentação tem aparecido com frequência. Sejamos honestos, muito pouca gente tem problemas de preconceito com a melhora na distribuição de renda, ou com o fornecimento de mais serviços à todas as classes sociais, mas quando a infraestrutura começa a não aguentar o tamanho da demanda, é hora de investir na mesma e não de ficar dizendo que quem faz críticas a essa falta de infraestrutura, não gosta de pobre.
Fontes:
http://empresaspublicas.imprensaoficial.com.br/balancos/sabesp/sabesp2006.pdf
http://empresaspublicas.imprensaoficial.com.br/balancos/sabesp/sabesp2013.pdf
14 outubro 2014
12 anos de PT. O Brasil não cresce, por que?
Comecemos com os fatos óbvios: não há o que negar, redistribuir riquezas é o grande mérito desse governo e por um tempo isso bastou para fazer nossa economia crescer. Independentemente, passado um tempo o país não sabe mais crescer.
Curioso como os economistas deste governo pensam que "o investimento" move a economia... que se eu tenho "investimento", necessariamente terei retorno.
Não, não é verdade... você pode investir tudo errado. Pode perder (em especial se investiu com o dinheiro "barato" dos antepassados ou ainda mais barato, dos contribuintes) e pode perder mais do que investiu, na verdade, como sabem os empreendedores, é bem possível produzir ganhos (econômicos ou sociais) sem investimento financeiro.
Eis o mais bizarro: o governo do PT acredita no marxismo.. e usa essa visão de economia como, exploração do homem pelo homem, para "forjar capitalistas de estado"... Investindo o nosso dinheiro em alguns amigos que certamente "darão retorno". Concluo que poderão explorar ainda melhor os outros conterrâneos? Oras, as grandes fortunas não acontecem conforme a fórmula do capitalismo marxista... Bill Gates ou Jobs não tinham milhares de dólares que usaram para explorar trabalhadores e ficar bilionários. Isso não é uma verdade exclusivamente da era da informática, era antes para Henry Ford e já era verdade para Creso*, rei de Lídia, 2500 anos atrás.
Os maiores ganhos econômicos decorrem da capacidade de criar do ser humano e são eles que sustentam todo o castelo da redistribuição de renda do governo PT. O que se podia redistribuir, dada a riqueza que se produz, já foi em boa medida, e ainda há promessas e promessas de direitos a serem quitados para grupos variados, além dos compromissos que o governo se propôs a resolver.. em resumo, todos os problemas da sociedade. "Tudo de graça para todo mundo agora".
MAS para resolver esses problemas precisamos fazer melhor como indivíduos e como sociedade e esse governo é MUITO RUIM em ajudar ou sequer permitir a sociedade que faça a parte dela. Esse governo tem medo dos empreendedores.
Esse é um governo bem intencionado, não nego. É um governo que quer fazer! Só não sabe como, e por isso atrapalha quem sabe. É um governo de gente que não entende os sonhos por trás dos homens e ao ver um empreendedor está mais preocupado em perguntar-se "quanto ele espera ganhar com isso?". Quanto poderemos tirar dele? É um governo que vê o trabalhador como um pobrezinho, um infeliz, um necessitado, que precisa de constante vigilância para não ceder aos vícios, constante supervisão para não ser enganado, numa relação que não pode ser ganha-ganha, tem de ser de exploração, é um trabalhador que precisa de um pai zeloso que o acolha com seus braços cristãos. É o governo dos excluídos, para o bem, e para o mal.
Esse governo tem bloqueado sistematicamente quem tenta fazer... Para este governo tem mais valor uma pessoa que protesta do que uma que trabalha, e isso pode ser visto quando aqueles que protestam são atendidos primeiro do que aqueles que trabalham... Talvez porque o primeiro "percebeu-se explorado"? É claro, isso não ajuda quem constrói com sonhos. Temos atrapalhado constantemente quem tenta inovar, mudar o mundo, etc... Temos ainda culpabilizado quem produz, criticado quem trabalha, valorizado a acomodação. Não nego o valor de um bolsa família, mas passados 12 anos, isso basta?
O importante é poder dizer ao final que "meu governo (EU) deu para aquelas famílias de excluídos ali, uma casa que devia custar 900 reais por mês, por apenas 90 reais mensais".
...mas diante dessa luz, será verdade? E por quanto tempo?
* Creso, rei da Lídia, aparece na expressão "As rich as Croesus" e seria o homem mais rico da antiguidade. A inovação que surgiu na Lídia e garantiu a Creso sua fortuna, foi a cunhagem de moedas "certificadas" e a construção de um sistema para verificação de sua pureza. Essa pequena inovação levou esse país (hoje parte da Turquia) à uma posição central no comércio.
Curioso como os economistas deste governo pensam que "o investimento" move a economia... que se eu tenho "investimento", necessariamente terei retorno.
Não, não é verdade... você pode investir tudo errado. Pode perder (em especial se investiu com o dinheiro "barato" dos antepassados ou ainda mais barato, dos contribuintes) e pode perder mais do que investiu, na verdade, como sabem os empreendedores, é bem possível produzir ganhos (econômicos ou sociais) sem investimento financeiro.
Eis o mais bizarro: o governo do PT acredita no marxismo.. e usa essa visão de economia como, exploração do homem pelo homem, para "forjar capitalistas de estado"... Investindo o nosso dinheiro em alguns amigos que certamente "darão retorno". Concluo que poderão explorar ainda melhor os outros conterrâneos? Oras, as grandes fortunas não acontecem conforme a fórmula do capitalismo marxista... Bill Gates ou Jobs não tinham milhares de dólares que usaram para explorar trabalhadores e ficar bilionários. Isso não é uma verdade exclusivamente da era da informática, era antes para Henry Ford e já era verdade para Creso*, rei de Lídia, 2500 anos atrás.
Os maiores ganhos econômicos decorrem da capacidade de criar do ser humano e são eles que sustentam todo o castelo da redistribuição de renda do governo PT. O que se podia redistribuir, dada a riqueza que se produz, já foi em boa medida, e ainda há promessas e promessas de direitos a serem quitados para grupos variados, além dos compromissos que o governo se propôs a resolver.. em resumo, todos os problemas da sociedade. "Tudo de graça para todo mundo agora".
MAS para resolver esses problemas precisamos fazer melhor como indivíduos e como sociedade e esse governo é MUITO RUIM em ajudar ou sequer permitir a sociedade que faça a parte dela. Esse governo tem medo dos empreendedores.
Esse é um governo bem intencionado, não nego. É um governo que quer fazer! Só não sabe como, e por isso atrapalha quem sabe. É um governo de gente que não entende os sonhos por trás dos homens e ao ver um empreendedor está mais preocupado em perguntar-se "quanto ele espera ganhar com isso?". Quanto poderemos tirar dele? É um governo que vê o trabalhador como um pobrezinho, um infeliz, um necessitado, que precisa de constante vigilância para não ceder aos vícios, constante supervisão para não ser enganado, numa relação que não pode ser ganha-ganha, tem de ser de exploração, é um trabalhador que precisa de um pai zeloso que o acolha com seus braços cristãos. É o governo dos excluídos, para o bem, e para o mal.
Esse governo tem bloqueado sistematicamente quem tenta fazer... Para este governo tem mais valor uma pessoa que protesta do que uma que trabalha, e isso pode ser visto quando aqueles que protestam são atendidos primeiro do que aqueles que trabalham... Talvez porque o primeiro "percebeu-se explorado"? É claro, isso não ajuda quem constrói com sonhos. Temos atrapalhado constantemente quem tenta inovar, mudar o mundo, etc... Temos ainda culpabilizado quem produz, criticado quem trabalha, valorizado a acomodação. Não nego o valor de um bolsa família, mas passados 12 anos, isso basta?
O importante é poder dizer ao final que "meu governo (EU) deu para aquelas famílias de excluídos ali, uma casa que devia custar 900 reais por mês, por apenas 90 reais mensais".
...mas diante dessa luz, será verdade? E por quanto tempo?
* Creso, rei da Lídia, aparece na expressão "As rich as Croesus" e seria o homem mais rico da antiguidade. A inovação que surgiu na Lídia e garantiu a Creso sua fortuna, foi a cunhagem de moedas "certificadas" e a construção de um sistema para verificação de sua pureza. Essa pequena inovação levou esse país (hoje parte da Turquia) à uma posição central no comércio.
21 julho 2014
Dados de corrupção por partido sem viés.
Análise dos dados de corrupção, sem enviesar pelo tamanho dos partidos
Anda circulando por ai o Dossíe da Corrupção (link abaixo). Estatísticas tortas... Infelizmente o mesmo ignora o tamanho dos partidos e leva a conclusões exageradas. O PV realmente teve menos cassados que o DEM entre os anos de 2000 e 2007, mas para cada 8 pessoas que foram cassadas no DEM, se o PV tivesse o mesmo tamanho e as proporções fossem mantidas, haveriam 3 cassados no PV. Não é o que faz parecer o 0,3% e os 20% do Dossie.
| Total de prefeituras no período da pesquisa (2000 - 2007) | Número de políticos cassados | Porcentagem de Políticos cassados | |
| PV | 70 | 1 | 1,43% |
| PT | 598 | 10 | 1,67% |
| PRP | 53 | 1 | 1,89% |
| PP | 1169 | 26 | 2,22% |
| PSB | 308 | 7 | 2,27% |
| PTB | 932 | 24 | 2,58% |
| PR | 623 | 17 | 2,73% |
| PMDB | 2315 | 66 | 2,85% |
| PPS | 474 | 14 | 2,95% |
| PSDB | 1859 | 58 | 3,12% |
| PSC | 59 | 2 | 3,39% |
| DEM | 1815 | 69 | 3,80% |
| PMN | 45 | 2 | 4,44% |
| PDT | 594 | 27 | 4,55% |
OBS:
1 - Fontes:
Dossie do Movimento de Combate à Corrupção
http://pt.wikipedia.org/wiki/Dossiê_do_Movimento_de_Combate_à_Corrupção_Eleitoral
Evolução de poder dos partidos
http://oglobo.globo.com/infograficos/eleicoes2012-evolucao-partidos
2 - Vale notar que outros fatores provavelmente influenciam as cassações. O tamanho dos municípios pode ser relevante (por exemplo, em 2004, o PT e o PSDB tinham grande diferença no número de municípios, mas controlavam o mesmo número de municípios (50) com mais de 100 mil habitantes (em 2000 eram 48 e 52). As cassações por região do Brasil também podem ser um dado relevante, que não tenho a disposição (Talvez, no Norte e Nordeste, como há menos controles, há menos cassações))).
3 - O número de cassados por partido no Dossie desconsidera o número de vices cassados (e eles são 1/3 dos cassados) então aqui podemos ter outra distorção importante.
4 - Infelizmente, os dados acabam em 2007, assim não dá para saber como ficou esse quadro com o crescimento do número de prefeituras controladas pelo PT (2012 são 636) e a diminuição do DEM (2012 são 278).
24 setembro 2013
Punição e Recompensa - O cantinho do Castigo.
Faz uns meses Rosely Sayão andou falando que as mães que lhe escreviam pedindo ajuda para resolver o que fazer com os filhos nas férias eram umas insensíveis que não queriam participar da educação dos filhos, ignorando completamente que as mães em geral tem um mês de férias (em data decidida pelo patrão), enquanto as crianças tem até três... de doer. Aquilo me incomodou tanto, que dê lá para cá tenho acompanhado com atenção seus textos.
Ao respeito que tenho por quem insiste em falar de educação num pais em que isso é tão pouco valorizado, à admiração por quem faz anos desenvolve um importante trabalho de conscientização de pais e professores, vou juntar a minha crítica:
A psicóloga anda trilhando um caminho fácil. Recentemente se especializou em fazer textos criticando práticas cotidianas de educação, em geral esquecendo de dar alternativas junto às críticas que encaminha (ou dando alternativas que pouco significam, usando por exemplo belas frases como "insistir nas boas lições" ou "Por outro lado, sabemos que a educação familiar está em declínio principalmente porque os pais, sujeitados a valores contemporâneos, notadamente o da manutenção da juventude e o da busca incessante da felicidade, mostram-se incertos quanto à necessidade de estabelecer uma relação de autoridade afetiva com os filhos.").
Pois essa semana, novamente faz um texto sobre um tema que exige uma discussão profunda, com a superficialidade de um terço de folha de Jornal. A autora critica o "cantinho do castigo" (o texto está abaixo).
Essencialmente a crítica pode ser resumida em "o cantinho do castigo" não devia ser usado. Ele funciona, somente com crianças pequenas, mas não é educação, e sim condicionamento (punição e recompensa). A autora diz que não é educação porque se a criança tivesse sido educada, não seria necessário usar mais a punição. É uma bela frase de efeito, mas não é bem verdade, já que os erros infantis não são únicos. É verdade que o certo é a criança não ter um comportamento porque sabe que ele é errado, e não por medo de uma punição, no entanto a ação cotidiana das pessoas é mais complexa do que as decisões racionais do cortex pré-frontal, como mostram a existência da obesidade, do vício no fumo, do crime passional, etc. Mesmo o código moral não é ferramenta simples, como deixa claro os experimentos de Navarrete. Não dá para atribuir tudo o que as pessoas fazem de errado (para os outros) a "falta de educação", até porque como mostraram Wilson, Dawkins e outros, um pouco de comportamento de maximização do ganho individual em detrimento do ganho coletivo é literalmente parte "da natureza humana".
Todos concordam que a guerra é errada, no entanto é cotidianamente travada por governos.
Entendo e concordo que as medidas de condicionamento são limitadas e não são a única ferramenta que um pai ou uma escola podem ou devem usar. Inclusive concordo que certamente há exagero no uso desse tipo de medida, e uma crença elevada em seus resultados, ou o diretor dos SIMPSONS não teria sido criado com o nome SKINNER.
Mas se o texto levanta uma questão interessante, e tenta mostrar os limites da solução prática tão valorizada pela "SuperNanny", o próprio texto escorrega ao propor que isso nunca deve ser usado. Até Piaget falava da importância da autoridade ao discutir o estágio infantil da Heteronomia.
Mas se o texto levanta uma questão interessante, e tenta mostrar os limites da solução prática tão valorizada pela "SuperNanny", o próprio texto escorrega ao propor que isso nunca deve ser usado. Até Piaget falava da importância da autoridade ao discutir o estágio infantil da Heteronomia.
É o tipo de crítica que só faz quem discute educação longe da prática do dia a dia, a que pais e escola estão submetidos. Certamente, se uma criança de três anos apanha um enfeite de cristal na prateleira da loja e começa a brincar com ele, o pai pode se aproximar e debater calmamente com a criança que aquele objeto pertence a loja, é frágil, e não é brinquedo... pode mostrar razões lógicas e racionais para que a criança sozinha tome a decisão correta e devolva o enfeite. Certamente pode se mostrar disponível e ajudar. Pode desviar a atenção para outra coisa, há muitas soluções. E deve sim elogiar a criança se ela agir corretamente (Rosely Sayão parece não gostar de elogios também). Por outro lado, se a criança não devolve o enfeite, e sentindo-se frustrada, o atira contra a cabeça da vendedora, começando a espernear e a gritar, como fica? O que recomenda a educadora? O que seria uma postura de autoridade afetiva nesse caso? De modo geral não há nada errado em colocar a criança de castigo, por um ou dois minutos (num canto da loja mesmo), até que se acalme e depois desse período explicar para a mesma que a atitude que ela tomou estava errada, pedindo que se desculpe com a vendedora. Acho um exagero forçar abraços ou beijos na vendedora. Ainda assim, se a criança não se acalma um minuto após ser posta de castigo, um abraço (do pai ou da mãe) pode realmente ajudar (mas um abraço afetivo logo após a atitude violenta não vai ajudar, momento é tudo). Lembro que ainda vão ter de pagar o enfeite. Certamente a lição não acaba ai (e nesse ponto faço minha crítica à prática), certamente depois dessa situação a mãe pode explicar a criança que aquilo que ela sentiu antes é frustração, que é um sentimento que ela vai sentir muitas vezes, mas que na vida não podemos ter tudo o que queremos na hora em que queremos e que lidar com a frustração com gritos, manhã e violência não é produtivo. Essa é a hora para estar disponível, para educar e até para dar carinho. Certamente no futuro, quando a mãe se sentir frustrada por alguma outra razão e a filha estiver por perto, pode usar o exemplo para mostrar como lidar com a frustração de outras formas. Não adianta só agir na hora do chilique.
Ainda assim, há sim aprendizado decorrente do cantinho do castigo. Aprende-se que há regras e punição para quem as desobedece (afinal se a punição não servisse para nada, não haveria a cadeia, a multa de transito, a demissão por justa causa... ferramentas de controle é verdade, mas nem por isso totalmente dispensáveis). O cantinho do castigo, como diz a autora, vai parar de funcionar um dia (realmente não adianta colocar um adolescente no cantinho do castigo), mas a própria sociedade tem outras ferramentas punitivas que vão entrar no lugar. Um adolescente pode fazer algo que não agrade aos pais e cá entre nós, muitas vezes são os pais que estão errados e não o adolescente. Este é a meu ver o grande problema do cantinho do castigo e a grande lição que há no caso. Às vezes é você que está errado, e deveria ceder ao que pede seu filho.
Não é possível lidar com adolescentes usando apenas a autoridade, da mesma forma que se pode fazê-lo com crianças pequenas. Algumas vezes, quem precisa repensar as atitudes são os país e professores, e eu concordaria totalmente com a Rosely S. se ela tivesse criticado o "uso generalizado e único" da punição e do elogio, como ferramentes. Por outro lado, é muito improvável que um adolescente faça algo que desagrade o grupo de amigos com quem anda (exatamente por temer a punição do grupo). Isso ocorre porque mesmo com adolescentes, a punição funciona.
Eu também sonho com um mundo em que cada homem, cada pessoa, respeite as regras do coletivo, respeite a si mesmo, e procure fazer do mundo um lugar melhor para todos, sem que exista a necessidade de punição ou castigo. Apenas não sei se esse mundo é possível, desconfio que não.
Eu também sonho com um mundo em que cada homem, cada pessoa, respeite as regras do coletivo, respeite a si mesmo, e procure fazer do mundo um lugar melhor para todos, sem que exista a necessidade de punição ou castigo. Apenas não sei se esse mundo é possível, desconfio que não.
ROSELY SAYÃO
Cantinho do castigo
Deixar a criança num cantinho pensando pode até funcionar --mas só por um período e com os menores de seis anos
Eu tentei; eu juro que tentei, caro leitor, resistir à tentação de escrever a respeito do cantinho do castigo. Ah, como eu tentei. Mas o maldito cantinho me persegue.
Não há um dia em que, em uma busca de assuntos na internet, eu não me depare com artigos, blogs, reportagens com listas de recomendações aos pais para bem educar o filho, de acordo com a idade que ele tem, que não apresente a ideia do cantinho. Até mesmo de programas de televisão eu não consigo escapar: vira e mexe, lá está a história do cantinho.
Certamente todos conhecem essa estratégia chamada educativa, mas caso alguém tenha tido a sorte de nunca ter se deparado com ela, eu explico. Quando uma criança faz algo que não deveria ter feito, quando se descontrola, quando faz birra ou briga com o irmão, por exemplo, os pais --ou responsáveis, que podem até ser professores-- devem levar a criança até um canto, de preferência longe do convívio familiar, e deixar a criança lá por um tempo.
E por quanto tempo a criança deve lá ficar? Ah, depende da idade dela, dizem os adeptos de tal estratégia. Pode ser, por exemplo, um minuto para cada ano que a criança tem, com pequenas variações. E você acredita, leitor, que já há banquinhos em forma de ampulheta, com areia dentro, que demora cinco minutos para passar de um lado ao outro? Então: a estratégia faz tanto sucesso entre os pais que já mobilizou até o mercado de produtos.
Conheço muitas mães que adoram o cantinho. Elas são entusiasmadas assim com a estratégia porque ela funciona, dizem. Sim, funciona. Por um tempo funciona, principalmente com crianças que têm menos de seis anos. As mais indefesas. Experimenta colocar um adolescente no cantinho!
Funciona da mesma maneira que funciona ensinar um cão a atender comandos como "senta" e "fica", por exemplo. Em outras palavras, adestramento, condicionamento, controle funcionam. Por um tempo, reafirmo.
E quando a estratégia do cantinho vem acompanhada da palavra "pensamento"? O tal "cantinho do pensamento" deve levar a criança a pensar na bobagem que fez. Refletir a respeito de seu mau comportamento. Como uma criança pequena pode ter uma atitude reflexiva?
Pensando bem, deve ser divertido para a criança imaginar a areia descendo e passando pelo fino buraquinho do banquinho sobre o qual está sentada. Deve ser bom também ter tempo para pensar no que quiser, imaginar, lembrar. É... o cantinho tem lá sua utilidade boa para a criança!
Em resumo, os ensinamentos nessa linha afirmam que quando a criança se comporta bem, os pais devem elogiar; quando não, levá-la para o cantinho. Na linguagem da psicologia comportamental, elogio é o reforço positivo --que visa aumentar a incidência de um comportamento-- e o cantinho é o "time out", técnica que visa reduzir um comportamento indesejado.
As questões sobre as quais devemos refletir --nós, adultos, temos condição de fazer isso-- é se essas estratégias educam e respeitam a criança. Minha resposta para ambas as questões é não. O cantinho do castigo, ou do pensamento, é uma punição. E sabemos que punição faz sofrer, mas não ensina nada. Adestra, condiciona, controla. Por um tempo.
Mas, e depois, quando o cantinho não for mais aplicável? O que os mais novos terão aprendido com o uso dele? Essa deve ser a nossa questão quando ficarmos tentados a usar o cantinho.
25 junho 2013
O inferno são os outros...
Não, não são só os 20 centavos... é o povo mesmo:
Não é exagero, isso foi meu dia de HOJE:
- Na obra o piso que havia acabado de ser lixado e tinha sofrido aplicação de resina está cheio de manchas porque a "empresa" que instala o aquecedor solar Soletrol deixou o serviço pela metade (faz 2 semanas que ela ia acabar o serviço que está um mês e meio atrasado) e esqueceu de avisar que deixou várias telhas faltando e quebradas. A Soletrol diz que não é com ela (puxa... mas foi ela que recebeu meu primeiro telefonema, quando eu só sonhava com aquecedor solar) e a tal "empresa" - Dinamica aquecedores, se não brigarmos muito, se compromete a terminar a instalação, semana que vem.
- Eu pago o SUS, mas não tenho coragem de usá-lo... então pago também o plano da Sul América, que não tem um pediatra que atenda decentemente, então pago por fora uma pediatra em quem confio, que está com a agenda lotada (mas faz questão de dizer que o Brasil não precisa de mais médicos). Como a agenda está lotada, levamos o Deco ao PS do Santa Catarina, que está com fila de 2 horas no Pronto Socorro... Aproveito para informar que não, eu não pego duas notas com a pediatra pelo mesmo atendimento para pedir reembolso no plano... isso não é só feio, é crime mesmo.
- Chego no escritório e dou de cara com sacos e sacos de entulho, que foram largados ao lado do terreno que desde 1980 fazemos a manutenção para a prefeitura (significa que todo mês pago um jardineiro para manter o lugar limpo e arrumado, além de ter plantado na área diversas árvores frutíferas.. sim, minha avó já fazia isso à muitos anos). A vizinha da frente, ao ser consultada, diz que viu o caminhão da empresa que vende material de construção ali hoje descarregando. Confrontado, o cara da loja diz que não sabe de nada... em OFF a esposa dele diz que pode ser que o cara do caminhão tenha passado a perna nele e pegado um bico para carregar entulho de alguém (e obviamente ao invés de levar o entulho ao aterro, largou no meio de outra rua mesmo). A vizinha diz que chamou a prefeitura e fala para eu ficar atento, ou posso ser multado.
- O Itaú, novamente, mudou o sistema e novamente, para nossa segurança, bloqueou pagamentos de funcionários...
Enquanto isso, tem gente que acha que o problema são os políticos lá em Brasília....
Não é exagero, isso foi meu dia de HOJE:
- Na obra o piso que havia acabado de ser lixado e tinha sofrido aplicação de resina está cheio de manchas porque a "empresa" que instala o aquecedor solar Soletrol deixou o serviço pela metade (faz 2 semanas que ela ia acabar o serviço que está um mês e meio atrasado) e esqueceu de avisar que deixou várias telhas faltando e quebradas. A Soletrol diz que não é com ela (puxa... mas foi ela que recebeu meu primeiro telefonema, quando eu só sonhava com aquecedor solar) e a tal "empresa" - Dinamica aquecedores, se não brigarmos muito, se compromete a terminar a instalação, semana que vem.
- Eu pago o SUS, mas não tenho coragem de usá-lo... então pago também o plano da Sul América, que não tem um pediatra que atenda decentemente, então pago por fora uma pediatra em quem confio, que está com a agenda lotada (mas faz questão de dizer que o Brasil não precisa de mais médicos). Como a agenda está lotada, levamos o Deco ao PS do Santa Catarina, que está com fila de 2 horas no Pronto Socorro... Aproveito para informar que não, eu não pego duas notas com a pediatra pelo mesmo atendimento para pedir reembolso no plano... isso não é só feio, é crime mesmo.
- Chego no escritório e dou de cara com sacos e sacos de entulho, que foram largados ao lado do terreno que desde 1980 fazemos a manutenção para a prefeitura (significa que todo mês pago um jardineiro para manter o lugar limpo e arrumado, além de ter plantado na área diversas árvores frutíferas.. sim, minha avó já fazia isso à muitos anos). A vizinha da frente, ao ser consultada, diz que viu o caminhão da empresa que vende material de construção ali hoje descarregando. Confrontado, o cara da loja diz que não sabe de nada... em OFF a esposa dele diz que pode ser que o cara do caminhão tenha passado a perna nele e pegado um bico para carregar entulho de alguém (e obviamente ao invés de levar o entulho ao aterro, largou no meio de outra rua mesmo). A vizinha diz que chamou a prefeitura e fala para eu ficar atento, ou posso ser multado.
- O Itaú, novamente, mudou o sistema e novamente, para nossa segurança, bloqueou pagamentos de funcionários...
Enquanto isso, tem gente que acha que o problema são os políticos lá em Brasília....
13 junho 2013
Tarifa zero, quem ganha com isso?
Algumas observações, porque o diabo mora nos detalhes:
- Não existe transporte público gratuito... o dinheiro tem de sair de algum lugar e invariavelmente, com tarifa zero, ele sairá dos cofres públicos.
- O governo brasileiro não produz, logo não tem dinheiro dele nos cofres públicos, o dinheiro que lá está é de quem trabalhou, aproximadamente 5 meses no ano para pagar impostos... se sair a passagem livre, vamos ter de aumentar os impostos (trabalhando ainda mais tempo para o governo), ou deixar de investir em outras prioridades, ou aumentar a inflação (aumento do deficit público = mais impressão de moeda = mais inflação).
Eu como sou dono de empresa, vou achar ótimo a tarifa ZERO... isso porque eu pago vale transporte para meus funcionários. SIM, quem mais gasta eu transporte público são as empresas que tem muita mão de obra, como a minha escola... Tarifa zero será ótimo para essas empresas.
Vamos detalhar: Isso ocorre porque o governo acha que as pessoas são imbecis que não tem capacidade de gerir o próprio dinheiro e precisam que o patrão separe uma parte do salário delas para pagar transporte... senão elas vão torrar tudo em roupa de marca e pinga. Eu acho que as pessoas deviam decidir o que fazer com o próprio dinheiro, deviam ter um salario maior, e não deviam ter vale transporte, ai o cabra podia escolher vir de bike e enfiar a grana no bolso... para mim vale transporte é o fim (assim como todos os outros "direitos", que na prática são mordidas no que você devia receber)...
Tarifa zero e aumentar imposto para pagá-la é aumentar a parte da economia que o governo toma conta... eu acho que nosso governo não sabe tomar conta do dinheiro em que põe a mão, em geral gasta mal e com corrupção, então não gosto da proposta de um ponto de vista "capitalista"... mas como sou patrão e sou capitalista malvado, e já disse ali atrás que provavelmente nesse modelo vou gastar menos com transporte pois os impostos serão sobre todos... estou achando a proposta até legal. É isso ai, TARIFA ZERO!
Claro, o fato que o transporte público é mal gerido, está na mão de uma pequena máfia, associada a esse governo para o qual vocês querem dar mais dinheiro, me incomoda um pouco... como capitalista malvado, eu queria uma solução de livre mercado..., aumento de concorrência entre as empresas de ônibus, concorrências para trechos menores facilitando que mais empreendedores possam jogar esse jogo, essas coisas... Mas as pessoas preferem viver na ilusão... Elas não gostam da ideia capitalista de dar dinheiro para o cidadão decidir onde quer gastar... Veja a diferença: dar dinheiro para o cara estudar funciona (por exemplo é o que faz o governo federal no Pró-uni). Entretanto muitas pessoas querem que toda a verba pública de educação seja dada para uma USP, ai fica mais fácil de uma pequena parcela tomar conta desse monte de dinheiro... Elas não querem que o governo libere a concorrência entre hospitais e planos de saúde e o cidadão escolhe onde vai se tratar..., nós preferimos um sistema como o SUS... o resultado é essa beleza ai. Tudo é responsabilidade do governo, tudo é prioridade, logo nada é A prioridade e nada é bem feito.
Vamos entender:
Capitalismo - você decide o que faz com o seu dinheiro.
Socialismo - o governo decide o que faz com o seu dinheiro.
Políticas distributivas são aceitáveis em qualquer um dos dois sistemas... não é absurdo o governo recolher impostos e repassá-los a população... Absurdo é achar que as soluções para as ineficiências dos sistemas públicos seja aumentar a responsabilidade pública sobre o sistema.
Como disse o Ale Straub... mercado livre é melhor que catraca livre...
- Não existe transporte público gratuito... o dinheiro tem de sair de algum lugar e invariavelmente, com tarifa zero, ele sairá dos cofres públicos.
- O governo brasileiro não produz, logo não tem dinheiro dele nos cofres públicos, o dinheiro que lá está é de quem trabalhou, aproximadamente 5 meses no ano para pagar impostos... se sair a passagem livre, vamos ter de aumentar os impostos (trabalhando ainda mais tempo para o governo), ou deixar de investir em outras prioridades, ou aumentar a inflação (aumento do deficit público = mais impressão de moeda = mais inflação).
Eu como sou dono de empresa, vou achar ótimo a tarifa ZERO... isso porque eu pago vale transporte para meus funcionários. SIM, quem mais gasta eu transporte público são as empresas que tem muita mão de obra, como a minha escola... Tarifa zero será ótimo para essas empresas.
Vamos detalhar: Isso ocorre porque o governo acha que as pessoas são imbecis que não tem capacidade de gerir o próprio dinheiro e precisam que o patrão separe uma parte do salário delas para pagar transporte... senão elas vão torrar tudo em roupa de marca e pinga. Eu acho que as pessoas deviam decidir o que fazer com o próprio dinheiro, deviam ter um salario maior, e não deviam ter vale transporte, ai o cabra podia escolher vir de bike e enfiar a grana no bolso... para mim vale transporte é o fim (assim como todos os outros "direitos", que na prática são mordidas no que você devia receber)...
Tarifa zero e aumentar imposto para pagá-la é aumentar a parte da economia que o governo toma conta... eu acho que nosso governo não sabe tomar conta do dinheiro em que põe a mão, em geral gasta mal e com corrupção, então não gosto da proposta de um ponto de vista "capitalista"... mas como sou patrão e sou capitalista malvado, e já disse ali atrás que provavelmente nesse modelo vou gastar menos com transporte pois os impostos serão sobre todos... estou achando a proposta até legal. É isso ai, TARIFA ZERO!
Claro, o fato que o transporte público é mal gerido, está na mão de uma pequena máfia, associada a esse governo para o qual vocês querem dar mais dinheiro, me incomoda um pouco... como capitalista malvado, eu queria uma solução de livre mercado..., aumento de concorrência entre as empresas de ônibus, concorrências para trechos menores facilitando que mais empreendedores possam jogar esse jogo, essas coisas... Mas as pessoas preferem viver na ilusão... Elas não gostam da ideia capitalista de dar dinheiro para o cidadão decidir onde quer gastar... Veja a diferença: dar dinheiro para o cara estudar funciona (por exemplo é o que faz o governo federal no Pró-uni). Entretanto muitas pessoas querem que toda a verba pública de educação seja dada para uma USP, ai fica mais fácil de uma pequena parcela tomar conta desse monte de dinheiro... Elas não querem que o governo libere a concorrência entre hospitais e planos de saúde e o cidadão escolhe onde vai se tratar..., nós preferimos um sistema como o SUS... o resultado é essa beleza ai. Tudo é responsabilidade do governo, tudo é prioridade, logo nada é A prioridade e nada é bem feito.
Vamos entender:
Capitalismo - você decide o que faz com o seu dinheiro.
Socialismo - o governo decide o que faz com o seu dinheiro.
Políticas distributivas são aceitáveis em qualquer um dos dois sistemas... não é absurdo o governo recolher impostos e repassá-los a população... Absurdo é achar que as soluções para as ineficiências dos sistemas públicos seja aumentar a responsabilidade pública sobre o sistema.
Como disse o Ale Straub... mercado livre é melhor que catraca livre...
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