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21 julho 2014

Dados de corrupção por partido sem viés.


Análise dos dados de corrupção, sem enviesar pelo tamanho dos partidos

Anda circulando por ai o Dossíe da Corrupção (link abaixo). Estatísticas tortas... Infelizmente o mesmo ignora o tamanho dos partidos e leva a conclusões exageradas. O PV realmente teve menos cassados que o DEM entre os anos de 2000 e 2007, mas para cada 8 pessoas que foram cassadas no DEM, se o PV tivesse o mesmo tamanho e as proporções fossem mantidas, haveriam 3 cassados no PV. Não é o que faz parecer o 0,3% e os 20% do Dossie.


Total de prefeituras no período da pesquisa (2000 - 2007) Número de políticos cassados Porcentagem de Políticos cassados
PV 70 1 1,43%
PT 598 10 1,67%
PRP 53 1 1,89%
PP 1169 26 2,22%
PSB 308 7 2,27%
PTB 932 24 2,58%
PR 623 17 2,73%
PMDB 2315 66 2,85%
PPS 474 14 2,95%
PSDB 1859 58 3,12%
PSC 59 2 3,39%
DEM 1815 69 3,80%
PMN 45 2 4,44%
PDT 594 27 4,55%

OBS:
1 - Fontes:
Dossie do Movimento de Combate à Corrupção
http://pt.wikipedia.org/wiki/Dossiê_do_Movimento_de_Combate_à_Corrupção_Eleitoral
Evolução de poder dos partidos
http://oglobo.globo.com/infograficos/eleicoes2012-evolucao-partidos

2 - Vale notar que outros fatores provavelmente influenciam as cassações. O tamanho dos municípios pode ser relevante (por exemplo, em 2004, o PT e o PSDB tinham grande diferença no número de municípios, mas controlavam o mesmo número de  municípios (50) com mais de 100 mil habitantes (em 2000 eram 48 e 52). As cassações por região do Brasil também podem ser um dado relevante, que não tenho a disposição (Talvez, no Norte e Nordeste, como há menos controles, há menos cassações))).

3 - O número de cassados por partido  no Dossie desconsidera o número de vices cassados (e eles são 1/3 dos cassados) então aqui podemos ter outra distorção importante.

4 - Infelizmente, os dados acabam em 2007, assim não dá para saber como ficou esse quadro com o crescimento do número de prefeituras controladas pelo PT (2012 são 636) e a diminuição do DEM (2012 são 278).

24 outubro 2011

Piorando a notícia. Distorcendo as estatísticas.

A Folha de hoje anuncia que os Paulistanos estão bebendo mais antes de dirigir.(manchete). Na linha inferior informa que o número de embriagados ao volante flagrados em blitze da polícia já é 32% maior que em todo o ano passado. Chocante, não?! Ainda faltam 2,5 meses para o final do ano e as coisas já estão assim?! Aonde isso vai parar?

Bem observe os números que a reportagem apresenta: No ano passado, 879 pessoas foram apanhadas dirigindo embriagadas (com teor acima do permitido) em 2010. Já em 2011 foram 1167 motoristas detidos pelas mesmas condições. Oras, a reportagem não comenta, mas é possível ver em um quadro informativo que 170.512 motoristas já foram fiscalizados em 2011 (até outubro) contra 156.266 em 2010. Assim, é possível perceber que a base de pessoas paradas subiu 10%, ou seja, esse AUMENTO de 32% não faz sentido, é um número feito para enganar. Só pelo aumento do número de pessoas fiscalizadas já seria esperável que 970 pessoas estivessem dirigindo embriagadas. Claro, houve um aumento, na mesma base, da ordem de 20%, o que é muito, mas é bem menos dramático do que informa a manchete e a chamada da notícia.

A notícia ainda informa que houve uma queda do número de motoristas dirigindo sob efeito do álcool, em quantidades que não implicam em crime de transito (menos de 0,33mg - dá multa mais não dá cadeia). Mesmo com o aumento de 10% no número de pessoas fiscalizadas, o número de motoristas dirigindo tendo consumido álcool caiu de 4258 pessoas para 2653 pessoas. Isso sim uma queda significativa (38%), já que seria esperado um aumento para 4700 pessoas aproximadamente (uma queda real de 45% no número de paulistanos bebendo antes de dirigir). A manchete poderia ser "Cai número de pessoas dirigindo sobre efeito do álcool" ou "Motoristas flagrados dirigindo alcoolizados estavam mais bêbados", mas não "Paulistanos estão bebendo mais", já que de acordo com a matéria, os paulistanos estão bebendo menos, quem está mais bêbada é a porcentagem dos motoristas que foi flagrada (mas menos paulistanos foram flagrados).

Claro que esse dado da diminuição do número de paulistanos dirigindo alcoolizado é suspeito, as pessoas passaram a recusar fazer o teste do bafómetro e alguém levemente alcoolizado provavelmente é quem tem mais condições de recusar ser testado (essa suposição é minha, não está na notícia)... A matéria até esta bem escrita e informativa, mas a machete e a chamada são típicos exemplos que poderiam figurar no livro "Lies, damned lies, and statistics".

15 fevereiro 2011

Elite não é classe média alta.

A folha essa semana trouxe um texto em que um sociólogo, Jésse Souza , diz que a nova classe média brasileira não é uma típica classe média. Fernando de Barros e Silva, da Folha de São Paulo, repete a mesma "descoberta". A parte realmente interessante do argumento, que fica visível nas formulações, do sociólogo, e do jornalista, é o argumento de que essa classe de emergentes não é a típica classe média, já que não detém cultura... Não que haja preconceito, afinal há elogios aos emergentes que teriam chegado lá trabalhando, mas atenção às entrelinhas. Visto de outra forma, o argumento de ambos é que essa "nova classe média", não é classe média porque não é como o sociólogo, como o jornalista, como os leitores da folha, como eu, como você, como as pessoas que tem TV a cabo ou tem educação superior de qualidade.

Oras, do meu ponto de vista o que ocorre não é um erro no reconhecimento da classe média, que inclusive sempre foi classe média, pois sempre esteve na média da renda nacional (eram 40% da população, agora são 52% e é sobre esses 12% que da-se mérito ao Lula). A classe média é composta por aqueles que ganham mais de 1500,00 por mês e menos de 4600,00 (renda familiar e NÃO RENDA PER CAPTA). O que ocorre é que nossa elite é incapaz de se ver como elite e prefere acreditar que é parte de uma fictícia "classe média alta". Como no Brasil, ser rico é mal visto, os 20% mais ricos da população preferem acreditar que não são ricos. O sociólogo, o jornalista, e qualquer um que leia a Folha, a Veja, a Carta Capital, a Isto é, ou a Época, faz parte de uma minoria... A triste verdade é que se você é capaz de compreender esse texto, provavelmente faz parte de uma ínfima parcela da população (saber o que é ínfima já te coloca em uma elite intelectual e econômica). Esta parcela reclama que no Brasil a culpa é "das elites" ou "dos ricos", mas não se dá conta de ser membro dessa elite. ATENÇÃO, SE SUA FAMÍLIA GANHA MAIS DE R$ 5.000,00 MENSAIS, VOCÊ FAZ PARTE DOS 10% MAIS RICOS DA POPULAÇÃO. Estar nos 10% finais da curva normal não é MÉDIA em lugar nenhum. Tenho certeza que o professor Jésse Sousa, professor doutor de Universidade Federal, formado na Alemanha, tem um salário na universidade e uma renda proveniente da venda de livros que o coloca nesses 10% mais ricos.

Na verdade, tenho certeza que a imensa maioria das pessoas que acha que é classe média, é na verdade membro das parcelas mais endinheiradas do país. É fácil perceber isso quando sabemos que 50% da população brasileira vive com uma renda familiar mensal de menos do que 1000 reais por mês. Apenas 29% da população tem uma renda familiar superior a 3.000,00 reais por mês (classes A e B - Fonte: Ipsos Marplan). Se esses números te parecem esquisitos (ou se você viu uma das várias tabelas erradas de distribuição de renda que eu vi na WEB), pode fazer uma conta fácil. PIB brasileiro, um pouco menos de 2 trilhões de dolares. O número de brasileiros é de 200 milhões. Assim, nosso PIB per capta ANUAL é de 10.000 dólares. Isso, dividido pelos 12 meses do ano, dá 830 dólares per capta por mês. Como o dólar está em 1,7 Reais, resulta que cada pessoa no Brasil poderia ganhar 1400 Reais (se fosse dividido igualzinho e não houvesse juízes, deputados, entre outros ganhando mais de 10.000,00 por mês e achando que é pouco).

Bem, por que é importante conhecer esses dados e essa realidade? Porque não faz sentido apoiar greve de professores que já ganham 6.000 reais por mês, porque não faz sentido ficar dizendo que rico paga pouco imposto e a classe média é achacada e ainda tem que pagar plano de saúde, clube e escola particular. Se você pode pagar plano de saúde ou escola particular ou clube, você já faz parte da elite. Melhor mudar o discurso e brigar para que a elite possa ter mais membros, assim talvez, sua parte nas contas diminua.



09 setembro 2009

Empreender no Brasil: Só fora da Lei.

Segundo a folha de São Paulo de hoje 09/09/09 (OBS: meu aniversário foi hoje às 9h00 da manhã), o relatório "Doing Business - 2010", do Banco Mundial aponta que o empresário Brasileiro gasta por ano 2600 horas para pagar os impostos. Se o empresário trabalha 8 horas por dia, serão 325 dias por ano gastos em contabilização e burocracia para conseguir seguir toda a legislação exigida (somente relativa a impostos)...

Bem, fica evidente, com um ano que tem 254 dias úteis, que mesmo que o empresário dedique-se exclusivamente a cuidar das exigências do estado, que ainda assim ele estará devendo 71 dias... Quando é que esse infeliz vai trabalhar e produzir riquezas e inovação??


Assim é evidente que o empresário não tem outra opção, que fazer esses controles meio "nas coxas" e ser portanto um eterno ilegal, que fica a espera do fiscal, que encontrará irregularidades em qualquer uma das empresas brasileiras, e poderá assim exigir uma bola, para deixar tudo como está...

Um último dado da pesquisa aponta que 69% do lucro das empresas é pago em taxas ao governo.. nada mais razoável, visto como essa instituição está preocupada em aumentar a competitividade das empresas e facilitar os processos burocráticos.

Es tu brasil ó Patria amada.

Fonte:
http://www.doingbusiness.org/ExploreEconomies/?economyid=28#PayingTaxes

28 maio 2009

Reeditando matéria antiga...

Escrevi isso faz tempo, mas descobri que o blogger enterrou isso no passado e um velho colega , João Luiz, me fez rever essa matéria e ressuscitá-la...

Dizia o professor : "A estatística é a arte de torturar os números, até que eles confessem".

Pois a imprensa tende a torturar os leitores e não os números. A tortura é tamanha, e tem se repetido tão longamente, que resolvi desmarcarar...

Caso 1
A primeira vez que vi um artigo com um absurdo estatístico, a matéria dizia que pesquisadores noruegueses entrevistando homens e mulheres, concluíram que os homens em média tinham 18 parceiras sexuais ao longo da vida enquanto as mulheres em média tinham 5 parceiros. Por mais que eu acredite que a pesquisa foi bem feita, ela revelava uma coisa risível.PENSE: Como a população de homens e mulheres é muito próxima 51% mulheres e 49% de homens, os números deveriam ser próximos, cada vez que um homem troca de parceira, uma mulher troca de parceiro.... colocando de outra forma, COM QUEM OS HOMENS ESTAVAM TRANSANDO? A resposta é simples... a pesquisa revela apenas que ou os homens mentem para cima, ou as mulheres mentem para baixo (ou ambos).Depois vi um documentário sobre o assunto em que submetiam a moça que respondeu "seis parceiros" a um teste do polígrafo e ela assumiu que havia mentido na pesquisa.Ok, podemos aceitar que existam os homossexuais, mas eles não são em tão grande número para fazer a diferença, não é mesmo?Onde vi essa pérola? - Revista Veja.

Caso 2
A revista da Veja São Paulo fez matéria sobre os fumantes, e traz a seguinte sentença sobre a Itália "Apesar de 22% da população ser de fumantes, oito em cada dez italianos aprovam a lei."Prof. Pasquale me salve: Por que o repórter usou o termo:"Apesar"?!!?Se 22% fumam, 78% não fumam. Podemos arredondar esses 78% para 80% e dai sabemos que 8 em cada 10 não fumam. Será que esses que não fumam são os favoráveis a lei que restringe o fumo?

Caso 3
A mesma revista Veja, nos presenteia com uma matéria sobre o tamanho do pênis em 13/06/2007.
"Estudo realizado por dois urologistas ingleses mostra que 45% dos homens estão insatisfeitos com o tamanho de seu pênis. No entanto, a maior parte dos homens que avaliam ter pênis pequeno, na verdade, tem um órgão de tamanho absolutamente normal. Medições feitas em mais de 11.500 homens mostram que a maioria dos homens possui pênis com comprimento entre 14 e 16 centímetros e circunferência entre 12 e 13 centímetros – em ambos os casos, em estado ereto. Segundo o consenso entre os médicos, para ser considerado pequeno, um pênis precisa medir menos de 7 centímetros, quando ereto."
OK, se o cara tem um "pequeno príncipe" de 7 cm, melhor se matar. MAS, só para esclarecer aos repórteres. OS HOMENS NÃO SÃO LOUCOS. Ninguém gosta de ter o pênis menor que a média. Vamos dizer que 10% dos homens estão na média (e a média é 15 cm e não "entre 14 e 16", se alguém acha que esses 2 cm não fazem diferença, um estudo mostra que os homens mentem em média 2 cm a mais na altura em sites de relacionamentos (almas gêmeas, par perfeito e similares)). Bem se chutei que 10% estão bem próximos aos 15 cm (vamos aceitar uns 2mm de erro). Teremos 90% dos homens fora deste valor. Metade acima, satisfeita com o tamanho. Metade abaixo, insatisfeita com o tamanho.Com um último detalhe... na verdade os homens são uns otimistas, afinal você se satisfaria se alguém o descrevesse como: "Uma pessoa de inteligência mediana, feiúra normal, desempenho sexual nada fora do comum, e de resto medíocre"?! - Acredite estar na média é triste.Abs.Carlos

OBS: E antes que alguém comente, não faço medidas do "João Grandão" desde os 12 anos, isso é uma preocupação de gente mediana.

11 maio 2009

Bicicletas...


Por favor, vamos todos andar de biclicleta e acabar com os carros.. não aguento mais o transito! Materia da folha de ontem fala em + 500.000 carros por ano em SP... isso é uma insanidade... A foto acima apresenta a área ocupada por 500 carros, aproximadamente 11.000 m². Bem, 1000 vezes isso são 11.000.000 m² ou 8 vezes a área do parque ibirapuera... não tem onde por todos esses carros...


09 setembro 2008

Super Crunchers

Estou acabando de ler Super Crunchers. É bem interessante, e mostra um futuro um pouco assustador. Se você gostou de Freaknomics, recomendo, idem para o Previsivelmente Irracional. E se você odeia matemática e estatística, o livro pode te mostrar porque é importante não desvalorizar essas matérias e tratá-las como coisa de Nerd.

Se gostou deste, pode comprar também Desafio aos Deuses: a Fascinante História do Risco .

04 setembro 2007

9 de Setembro

Pela certidão, eram 9 horas e 10 minutos quando nasci em um dia 9 do mês 9 de 72 (7+2=9).

Gosto de pensar que os 10 minutos foram um arredondamento de 9 horas 9 minutos e 9 segundos, coincidência que escapou ao médico e assim não consta no cartório.
Ora, Se alguém deveria acreditar que coincidências são um sinal de que há algo especial acontecendo, esse alguém sou eu....

Um ano tem 31.536.000 de segundos, e assim a chance de alguém nascer num determinado segundo é de uma em trinta milhões aproximadamente.

No entanto, existem 6 bilhões de pessoas no mundo. E assim, a cada segundo uma destas 6 bilhões de pessoas vivência uma experiência que só tem uma probabilidade em 6 bilhões de ocorrer naquele segundo.

Seguindo o mesmo raciocínio, imagine um evento que ocorra 2 vezes por semana. Considerando esses 6 bilhões de pessoas, percebemos que 120 destas viverão uma experiência que têm apenas duas chances em 50 milhões de ocorrer naquela semana.

É por isso que eu jogo na mega sena.

08 julho 2007

A palavra mais relevante da WEB é


A revista Veja de hoje publica uma tabela estatística mostrando que o Ipod é quase tão citado quando Deus (God) na Web. Segundo o estudo (facilmente reproduzivel), uma busca por ipod traz 230.000.000 resultados. Enquanto uma busca por "God" traz 350.000.000 resultados. Bem, não me tomou 3 segundos para pensar numa palavra que aparece mais que "God" na web. Basta considerar a religiosidade e a espiritualidade dos dias atuais, para perceber que temos uma atenção bem maior a outras palavras, essa que você provavelmente pensou aparece 426.000.000 de vezes. (Trata-se da palavra "sex").

A palavra "money" aparece em 597.000.000 citações. Deus portanto não tem tanta força como se pensava.

Porém mudamos de patamar ao procurar por palavras mais corriqueiras. A palavraVocê (you) aparece 5.950.000.000. Pouco mais que a palavra Não (not). Já a palavra EU (I) aparece em 5.700.000.000.

Mas a palavra mais relevante da WEB, é "e" (and) com 10.320.000.000 de aparições. Isso evidência que o mais importante da WEB é adicionar uma idéia a mais.

21 junho 2007

A estatística encontra a imprensa



Dizia o professor do meu amigo Zé Edu: "A estatística é a arte de torturar os números, até que eles confessem".

Pois a imprensa tende a torturar os leitores e não os números. A tortura é tamanha, e tem se repetido tão longamente, que resolvi...tá bom, eu confesso.

Caso 1
A primeira vez que vi um artigo com um absurdo estatístico, a matéria dizia que pesquisadores noruegueses entrevistando homens e mulheres, concluíram que os homens em média tinham 18 parceiras sexuais ao longo da vida enquanto as mulheres em média tinham 5 parceiros. Por mais que eu acredite que a pesquisa foi bem feita, ela revelava uma coisa risível.

PENSE: Como a população de homens e mulheres é muito próxima 51% mulheres e 49% de homens, os números deveriam ser próximos, cada vez que um homem troca de parceira, uma mulher troca de parceiro.... colocando de outra forma, COM QUEM OS HOMENS ESTAVAM TRANSANDO? A resposta é simples... a pesquisa revela apenas que ou os homens mentem para cima, ou as mulheres mentem para baixo (ou ambos).
Depois vi um documentário sobre o assunto em que submetiam a moça que respondeu "seis parceiros" a um teste do polígrafo e ela assumiu que havia mentido na pesquisa.

Ok, podemos aceitar que existam os homossexuais, mas eles não são em tão grande número para fazer a diferença, não é mesmo?
Onde vi essa pérola? - Revista Veja.

Caso 2

A revista da Veja São Paulo fez matéria sobre os fumantes, e traz a seguinte sentença sobre a Itália "Apesar de 22% da população ser de fumantes, oito em cada dez italianos aprovam a lei."
Prof. Pasquale me salve: Por que o repórter usou o termo:"Apesar"?!!?
Se 22% fumam, 78% não fumam. Podemos arredondar esses 78% para 80% e dai sabemos que 8 em cada 10 não fumam. Será que esses que não fumam são os favoráveis a lei?

Caso 3

A mesma revista Veja, nos presenteia com uma matéria sobre o tamanho do pênis.
http://veja.abril.com.br/idade/exclusivo/130607/sumario.shtml
A ciência prova: tamanho não é, mesmo, documento 90

" Estudo realizado por dois urologistas ingleses mostra que 45% dos homens estão insatisfeitos com o tamanho de seu pênis. No entanto, a maior parte dos homens que avaliam ter pênis pequeno, na verdade, tem um órgão de tamanho absolutamente normal. Medições feitas em mais de 11.500 homens mostram que a maioria dos homens possui pênis com comprimento entre 14 e 16 centímetros e circunferência entre 12 e 13 centímetros – em ambos os casos, em estado ereto. Segundo o consenso entre os médicos, para ser considerado pequeno, um pênis precisa medir menos de 7 centímetros, quando ereto."

OK, se o cara tem um "pequeno príncipe" de 7 cm, melhor se matar. MAS, só para esclarecer aos repórteres. OS HOMENS NÃO SÃO LOUCOS. Ninguém gosta de ter o pênis menor que a média. Vamos dizer que 10% dos homens estão na média (e a média é 15 cm e não "entre 14 e 16", se alguém acha que esses 2 cm não fazem diferença, um estudo mostra que os homens mentem em média 2 cm a mais na altura em sites de relacionamentos (almas gêmeas, par perfeito e similares)). Bem se chutei que 10% estão bem próximos aos 15 cm (vamos aceitar uns 2mm de erro). Teremos 90% dos homens fora deste valor. Metade acima, satisfeita com o tamanho. Metade abaixo, insatisfeita com o tamanho.

Com um último detalhe... na verdade os homens são uns otimistas, afinal você se satisfaria se alguém o descrevesse como: "Uma pessoa de inteligência mediana, feiúra normal, desempenho sexual nada fora do comum, e de resto medíocre"?! - Acredite estar na média é triste.

Abs.
Carlos

OBS: E antes que alguém comente, não faço medidas do "João Grandão" desde os 12 anos, isso é uma preocupação de gente mediana.

24 março 2007

Estatística é para poucos.

A estatística é a arte de torturar os números até que eles confessem. - Professor de estatística da Poli USP.