25 junho 2013

O inferno são os outros...

Não, não são só os 20 centavos... é o povo mesmo:

Não é exagero, isso foi meu dia de HOJE:

- Na obra o piso que havia acabado de ser lixado e tinha sofrido aplicação de resina está cheio de manchas porque a "empresa" que instala o aquecedor solar Soletrol deixou o serviço pela metade (faz 2 semanas que ela ia acabar o serviço que está um mês e meio atrasado) e esqueceu de avisar que deixou várias telhas faltando e quebradas. A Soletrol diz que não é com ela (puxa... mas foi ela que recebeu meu primeiro telefonema, quando eu só sonhava com aquecedor solar) e a tal "empresa" - Dinamica aquecedores, se não brigarmos muito, se compromete a terminar a instalação, semana que vem.

- Eu pago o SUS, mas não tenho coragem de usá-lo... então pago também o plano da Sul América, que não tem um pediatra que atenda decentemente, então pago por fora uma pediatra em quem confio, que está com a agenda lotada (mas faz questão de dizer que o Brasil não precisa de mais médicos). Como a agenda está lotada, levamos o Deco ao PS do Santa Catarina, que está com fila de 2 horas no Pronto Socorro... Aproveito para informar que não, eu não pego duas notas com a pediatra pelo mesmo atendimento para pedir reembolso no plano... isso não é só feio, é crime mesmo. 

- Chego no escritório e dou de cara com sacos e sacos de entulho, que foram largados ao lado do terreno que desde 1980 fazemos a manutenção para a prefeitura (significa que todo mês pago um jardineiro para manter o lugar limpo e arrumado, além de ter plantado na área diversas árvores frutíferas.. sim, minha avó já fazia isso à muitos anos). A vizinha da frente, ao ser consultada, diz que viu o caminhão da empresa que vende material de construção ali hoje descarregando. Confrontado, o cara da loja diz que não sabe de nada... em OFF a esposa dele diz que pode ser que o cara do caminhão tenha passado a perna nele e pegado um bico para carregar entulho de alguém (e obviamente ao invés de levar o entulho ao aterro, largou  no meio de outra rua mesmo). A vizinha diz que chamou a prefeitura e fala para eu ficar atento, ou posso ser multado.

- O Itaú, novamente, mudou o sistema e novamente, para nossa segurança, bloqueou pagamentos de funcionários...

Enquanto isso, tem gente que acha que o problema são os políticos lá em Brasília....

13 junho 2013

Tarifa zero, quem ganha com isso?

Algumas observações, porque o diabo mora nos detalhes:
- Não existe transporte público gratuito... o dinheiro tem de sair de algum lugar e invariavelmente, com tarifa zero, ele sairá dos cofres públicos.
- O governo brasileiro não produz, logo não tem dinheiro dele nos cofres públicos, o dinheiro que lá está é de quem trabalhou, aproximadamente 5 meses no ano para pagar impostos... se sair a passagem livre, vamos ter de aumentar os impostos (trabalhando ainda mais tempo para o governo), ou deixar de investir em outras prioridades, ou aumentar a inflação (aumento do deficit público = mais impressão de moeda = mais inflação).

Eu como sou dono de empresa, vou achar ótimo a tarifa ZERO... isso porque eu pago vale transporte para meus funcionários. SIM, quem mais gasta eu transporte público são as empresas que tem muita mão de obra, como a minha escola... Tarifa zero será ótimo para essas empresas.

Vamos detalhar: Isso ocorre porque o governo acha que as pessoas são imbecis que não tem capacidade de gerir o próprio dinheiro e precisam que o patrão separe uma parte do salário delas para pagar transporte... senão elas vão torrar tudo em roupa de marca e pinga. Eu acho que as pessoas deviam decidir o que fazer com o próprio dinheiro, deviam ter um salario maior,  e não deviam ter vale transporte, ai o cabra podia escolher vir de bike e enfiar a grana no bolso... para mim vale transporte é o fim (assim como todos os outros "direitos", que na prática são mordidas no que você devia receber)...

Tarifa zero e aumentar imposto para pagá-la é aumentar a parte da economia que o governo toma conta... eu acho que nosso governo não sabe tomar conta do dinheiro em que põe a mão, em geral gasta mal e com corrupção, então não gosto da proposta de um ponto de vista "capitalista"... mas como sou patrão e sou capitalista malvado, e já disse ali atrás que provavelmente nesse modelo vou gastar menos com transporte pois os impostos serão sobre todos... estou achando a proposta até legal. É isso ai, TARIFA ZERO!

Claro, o fato que o transporte público é mal gerido, está na mão de uma pequena máfia, associada a esse governo para o qual vocês querem dar mais dinheiro, me incomoda um pouco... como capitalista malvado, eu queria uma solução de livre mercado..., aumento de concorrência entre as empresas de ônibus, concorrências para trechos menores facilitando que mais empreendedores possam jogar esse jogo, essas coisas... Mas as pessoas preferem viver na ilusão... Elas não gostam da ideia capitalista de dar dinheiro para o cidadão decidir onde quer gastar... Veja a diferença: dar dinheiro para o cara estudar funciona (por exemplo é o que faz o governo federal no Pró-uni). Entretanto muitas pessoas querem que toda a verba pública de educação seja dada para uma USP, ai fica mais fácil de uma pequena parcela tomar conta desse monte de dinheiro... Elas não querem que o governo libere a concorrência entre hospitais e planos de saúde e o cidadão escolhe onde vai se tratar..., nós preferimos um sistema como o SUS... o resultado é essa beleza ai. Tudo é responsabilidade do governo, tudo é prioridade, logo nada é A prioridade e nada é bem feito.

Vamos entender:
Capitalismo - você decide o que faz com o seu dinheiro.
Socialismo - o governo decide o que faz com o seu dinheiro.

Políticas distributivas são aceitáveis em qualquer um dos dois sistemas... não é absurdo o governo recolher impostos e repassá-los a população... Absurdo é achar que as soluções para as ineficiências dos sistemas públicos seja aumentar a responsabilidade pública sobre o sistema.

Como disse o Ale Straub... mercado livre é melhor que catraca livre...

06 abril 2013

Cigarro e política...

O texto do Draúsio abaixo é excepcional...
De quebra resume em seu último parágrafo a principal crítica que se pode fazer aos 10 anos de governo do PT. Afinal, se o governo engole base evangélica (o que explica o Feliciano), com ruralistas (o que explica o Blairo Maggi), e com os corruptos que puder (o que explica o Paulo Maluf, e os mensaleiros)...


Por que não faz algo com essa base toda?!?! Para fazer medida dando redução de impostos aos setores amigos não precisa de base aliada (o congresso sempre vota pela redução de impostos, até o PSDB vota junto), para fazer medida dando direito trabalhista para doméstica ou aumentando o bolsa família também não... Base aliada serve para ter força de mexer em assunto espinhoso (mas no caso dos Royalties o governo perdeu?) e não vejo qualquer esforço nesse sentido nas reformas realmente complexas que o Brasil precisa... Reforma Tributária, Reforma Política, Reforma da previdência... todas e outras... nada.

Ai, pergunta-se, como fez o Drausio: "Pra que serve essa base aliada?". Infelizmente, a resposta é uma só: "Para garantir que as boquinhas do meu interesse também sejam aceitas pelo congresso... Entrego o ministério dos transportes à partido de corrupto, que afastei por denuncia de corrupção agora esquecidas, porque assim, garanto zero oposição aos meus indicados na Petrobrás, no STF, na Anatel e por ai vai.". Claro esses indicados não estão preocupados em melhorar o país... estão preocupados em permanecer no poder e ganhar dinheiro no processo, mesmo que isso implique fumar unzinho com as fábricas de cigarro.


Enquanto isso, outra matéria informa que o Prefeito Haddad acaba de descongelar 300 cargos públicos por indicação. Deve ser para melhorar a estrutura administrativa da cidade de S. Paulo. Não?!

Abaixo o texto do Drausio, que coloco já que a Folha anda bloqueando os links:

 06/04/2013 - 03h00 - Folha de São Paulo 
Indiferença inexplicável

Para quem está habituado a genocídios, que diferença faz um crime a mais? Em 2010, a Anvisa realizou uma série de consultas públicas sobre a conveniência de proibir a adição de aromatizantes e edulcorantes ao fumo. 
Na época, escrevi nesta coluna que a medida conseguia a proeza circense de ser a um só tempo corajosa e covarde. Corajosa porque finalmente o governo federal tomava a iniciativa de enfrentar a ganância criminosa dos que adicionam ao cigarro uma parafernália de substâncias químicas, para tornar a fumaça menos aversiva ao paladar infantojuvenil. Covarde porque não tem cabimento uma agência governamental legalmente encarregada de proteger a saúde dos brasileiros ser obrigada a consultar o público para coibir uma prática adotada com a finalidade exclusiva de induzir crianças e adolescentes à mais escravizadora das dependências de droga. Apesar desses pesares, em março de 2012, a Anvisa publicou a resolução RDC nº 14, segundo a qual continuavam permitidos os aditivos essenciais ao processo de fabricação de cigarros, mas seriam vetados aqueles introduzidos para deixá-lo mais palatável. Para a adaptação às novas regras foram fixados prazos generosos: 18 meses para os fabricantes e 24 meses para os comerciantes. 
 Essa questão é da maior relevância. Até a década de 1970 o emprego de aditivos era muito restrito; hoje são acrescentados mais de 600 deles. Perto de 10% do peso de um cigarro é composto por aditivos de efeitos mal estudados e imprevisíveis para o organismo. Pertencem a essa categoria produtos que conferem gosto de maçã, chocolate, cravo, morango, canela, baunilha ou menta. Outros, provocam broncodilatação para que a fumaça penetre mais fundo nos pulmões. Há, ainda, os que aumentam a afinidade dos neurônios à nicotina, para viciar com mais eficiência. O mentol, especificamente, adicionado para anestesiar as vias aéreas e diminuir a irritação causada pela fumaça, além de aumentar a permeabilidade da mucosa oral às nitrosaminas cancerígenas liberadas na combustão, é o preferido por mais de 50% das meninas e meninos que começam a fumar. A resolução da Anvisa foi contestada pelo deputado Luiz Carlos Heinz, por meio do PDC 3034/2010, que está para ser votado em Brasília. 
Em síntese, o nobre representante do povo contesta a autoridade da Anvisa para legislar sobre o tema. A alegação é a ladainha de sempre: como o fumo gera riquezas para o país, qualquer tentativa de reduzir seu consumo levaria à miséria milhares de famílias empregadas no plantio. A Advocacia Geral da União já se pronunciou a favor da legalidade constitucional do papel da Anvisa nessa questão. Em relação ao famigerado argumento das riquezas geradas pelo fumo, vamos lembrar que o Brasil gasta mais de R$ 20 bilhões por ano apenas com o tratamento das doenças causadas por ele, enquanto arrecada em impostos menos de um terço desse valor. Já em relação ao desemprego dos pobres lavradores --bandeira que a bancada do fumo no Congresso desfraldou até para justificar sua posição contrária à proibição de fumar em ambientes fechados--, quero dizer que, se todos os brasileiros deixassem de fumar, seriam eles os menos prejudicados, uma vez que somos o segundo maior exportador mundial. Mais desemprego haveria entre cancerologistas, cardiologistas, pneumologistas, cirurgiões, enfermeiras, atendentes, acompanhantes de inválidos, fabricantes de respiradores, balões de oxigênio, cadeiras de rodas, motoristas de ambulâncias, coveiros e demais envolvidos nas tragédias provocadas pelo cigarro. 
Reconheço que consigo entender o papel desprezível dos parlamentares que se prestam a defender os interesses da indústria. Eles o fazem por questões práticas, como os financiamentos de campanhas eleitorais ou seja lá que outro nome tenham. 
O que é inadmissível é a inércia do poder Executivo. Por que o Ministério da Saúde e a própria Anvisa sequer acompanham as sessões da Câmara em que o assunto está para ser votado? Por que razão a Casa Civil se abstém de convocar a maioria que detém no Legislativo, para impedir essa afronta à saúde dos brasileiros? Além das barganhas por ministérios, qual a serventia da base aliada? 

Drauzio Varella é médico cancerologista. Por 20 anos dirigiu o serviço de Imunologia do Hospital do Câncer. Foi um dos pioneiros no tratamento da Aids no Brasil e do trabalho em presídios, ao qual se dedica ainda hoje. É autor do livro "Estação Carandiru" (Companhia das Letras). Escreve aos sábados, a cada duas semanas, na versão impressa de "Ilustrada".

24 outubro 2011

Piorando a notícia. Distorcendo as estatísticas.

A Folha de hoje anuncia que os Paulistanos estão bebendo mais antes de dirigir.(manchete). Na linha inferior informa que o número de embriagados ao volante flagrados em blitze da polícia já é 32% maior que em todo o ano passado. Chocante, não?! Ainda faltam 2,5 meses para o final do ano e as coisas já estão assim?! Aonde isso vai parar?

Bem observe os números que a reportagem apresenta: No ano passado, 879 pessoas foram apanhadas dirigindo embriagadas (com teor acima do permitido) em 2010. Já em 2011 foram 1167 motoristas detidos pelas mesmas condições. Oras, a reportagem não comenta, mas é possível ver em um quadro informativo que 170.512 motoristas já foram fiscalizados em 2011 (até outubro) contra 156.266 em 2010. Assim, é possível perceber que a base de pessoas paradas subiu 10%, ou seja, esse AUMENTO de 32% não faz sentido, é um número feito para enganar. Só pelo aumento do número de pessoas fiscalizadas já seria esperável que 970 pessoas estivessem dirigindo embriagadas. Claro, houve um aumento, na mesma base, da ordem de 20%, o que é muito, mas é bem menos dramático do que informa a manchete e a chamada da notícia.

A notícia ainda informa que houve uma queda do número de motoristas dirigindo sob efeito do álcool, em quantidades que não implicam em crime de transito (menos de 0,33mg - dá multa mais não dá cadeia). Mesmo com o aumento de 10% no número de pessoas fiscalizadas, o número de motoristas dirigindo tendo consumido álcool caiu de 4258 pessoas para 2653 pessoas. Isso sim uma queda significativa (38%), já que seria esperado um aumento para 4700 pessoas aproximadamente (uma queda real de 45% no número de paulistanos bebendo antes de dirigir). A manchete poderia ser "Cai número de pessoas dirigindo sobre efeito do álcool" ou "Motoristas flagrados dirigindo alcoolizados estavam mais bêbados", mas não "Paulistanos estão bebendo mais", já que de acordo com a matéria, os paulistanos estão bebendo menos, quem está mais bêbada é a porcentagem dos motoristas que foi flagrada (mas menos paulistanos foram flagrados).

Claro que esse dado da diminuição do número de paulistanos dirigindo alcoolizado é suspeito, as pessoas passaram a recusar fazer o teste do bafómetro e alguém levemente alcoolizado provavelmente é quem tem mais condições de recusar ser testado (essa suposição é minha, não está na notícia)... A matéria até esta bem escrita e informativa, mas a machete e a chamada são típicos exemplos que poderiam figurar no livro "Lies, damned lies, and statistics".

15 fevereiro 2011

Elite não é classe média alta.

A folha essa semana trouxe um texto em que um sociólogo, Jésse Souza , diz que a nova classe média brasileira não é uma típica classe média. Fernando de Barros e Silva, da Folha de São Paulo, repete a mesma "descoberta". A parte realmente interessante do argumento, que fica visível nas formulações, do sociólogo, e do jornalista, é o argumento de que essa classe de emergentes não é a típica classe média, já que não detém cultura... Não que haja preconceito, afinal há elogios aos emergentes que teriam chegado lá trabalhando, mas atenção às entrelinhas. Visto de outra forma, o argumento de ambos é que essa "nova classe média", não é classe média porque não é como o sociólogo, como o jornalista, como os leitores da folha, como eu, como você, como as pessoas que tem TV a cabo ou tem educação superior de qualidade.

Oras, do meu ponto de vista o que ocorre não é um erro no reconhecimento da classe média, que inclusive sempre foi classe média, pois sempre esteve na média da renda nacional (eram 40% da população, agora são 52% e é sobre esses 12% que da-se mérito ao Lula). A classe média é composta por aqueles que ganham mais de 1500,00 por mês e menos de 4600,00 (renda familiar e NÃO RENDA PER CAPTA). O que ocorre é que nossa elite é incapaz de se ver como elite e prefere acreditar que é parte de uma fictícia "classe média alta". Como no Brasil, ser rico é mal visto, os 20% mais ricos da população preferem acreditar que não são ricos. O sociólogo, o jornalista, e qualquer um que leia a Folha, a Veja, a Carta Capital, a Isto é, ou a Época, faz parte de uma minoria... A triste verdade é que se você é capaz de compreender esse texto, provavelmente faz parte de uma ínfima parcela da população (saber o que é ínfima já te coloca em uma elite intelectual e econômica). Esta parcela reclama que no Brasil a culpa é "das elites" ou "dos ricos", mas não se dá conta de ser membro dessa elite. ATENÇÃO, SE SUA FAMÍLIA GANHA MAIS DE R$ 5.000,00 MENSAIS, VOCÊ FAZ PARTE DOS 10% MAIS RICOS DA POPULAÇÃO. Estar nos 10% finais da curva normal não é MÉDIA em lugar nenhum. Tenho certeza que o professor Jésse Sousa, professor doutor de Universidade Federal, formado na Alemanha, tem um salário na universidade e uma renda proveniente da venda de livros que o coloca nesses 10% mais ricos.

Na verdade, tenho certeza que a imensa maioria das pessoas que acha que é classe média, é na verdade membro das parcelas mais endinheiradas do país. É fácil perceber isso quando sabemos que 50% da população brasileira vive com uma renda familiar mensal de menos do que 1000 reais por mês. Apenas 29% da população tem uma renda familiar superior a 3.000,00 reais por mês (classes A e B - Fonte: Ipsos Marplan). Se esses números te parecem esquisitos (ou se você viu uma das várias tabelas erradas de distribuição de renda que eu vi na WEB), pode fazer uma conta fácil. PIB brasileiro, um pouco menos de 2 trilhões de dolares. O número de brasileiros é de 200 milhões. Assim, nosso PIB per capta ANUAL é de 10.000 dólares. Isso, dividido pelos 12 meses do ano, dá 830 dólares per capta por mês. Como o dólar está em 1,7 Reais, resulta que cada pessoa no Brasil poderia ganhar 1400 Reais (se fosse dividido igualzinho e não houvesse juízes, deputados, entre outros ganhando mais de 10.000,00 por mês e achando que é pouco).

Bem, por que é importante conhecer esses dados e essa realidade? Porque não faz sentido apoiar greve de professores que já ganham 6.000 reais por mês, porque não faz sentido ficar dizendo que rico paga pouco imposto e a classe média é achacada e ainda tem que pagar plano de saúde, clube e escola particular. Se você pode pagar plano de saúde ou escola particular ou clube, você já faz parte da elite. Melhor mudar o discurso e brigar para que a elite possa ter mais membros, assim talvez, sua parte nas contas diminua.



09 fevereiro 2011

Se formou em contabilidade, agora tem de fazer prova do CRC.

Pois é, demorou mas o Conselho Federal de Contabilidade (e os conselhos regionais) conseguiu aprovar seu exame. A idéia não é nova e em 2002 o CRC havia tentado colocar como obrigatoriedade para o registro o exame profissional. Diversos "desaprovados", após a primeira prova, entraram com mandato de segurança e ganharam, pois não é aceitável que pura e simplesmente o conselho exija mais uma prova sem que o MEC nunca disse necessária. O conselho então começou um processo para transformar tal prova em Lei, como fez antes a OAB, e após 8 anos conseguiu. Então a partir de agora para atuar como contador ou técnico em contabilidade, tem que passar na prova. A Central de Ensino sempre teve bons professores nessa área, então é natural que estejamos realizando um curso preparatório para o exame do CRC. Ainda assim, não tenho posição clara sobre essa exigência. Afinal, me parece uma tremenda sacanagem enganar um aluno por todo o processo educacional e depois que ele faz uma faculdade privada de última linha, não consegue tornar-se advogado ou contador porque não passa na prova. Além disso, não devemos esquecer que com os anos a tendência é que outras profissões tenham exigência igual, o que faz sentido para médicos, mas não faz sentido para administradores, designers ou jornalistas...

Finalmente, fica aquela questão, nos EUA exames como esses existem, mas se a pessoa passa na prova, mesmo sem ter feito o curso, ela pode exercer a profissão. Todos os anos vários advogados autodidatas surgem. Aqui isso parece impensável.