21 junho 2007

A estatística encontra a imprensa



Dizia o professor do meu amigo Zé Edu: "A estatística é a arte de torturar os números, até que eles confessem".

Pois a imprensa tende a torturar os leitores e não os números. A tortura é tamanha, e tem se repetido tão longamente, que resolvi...tá bom, eu confesso.

Caso 1
A primeira vez que vi um artigo com um absurdo estatístico, a matéria dizia que pesquisadores noruegueses entrevistando homens e mulheres, concluíram que os homens em média tinham 18 parceiras sexuais ao longo da vida enquanto as mulheres em média tinham 5 parceiros. Por mais que eu acredite que a pesquisa foi bem feita, ela revelava uma coisa risível.

PENSE: Como a população de homens e mulheres é muito próxima 51% mulheres e 49% de homens, os números deveriam ser próximos, cada vez que um homem troca de parceira, uma mulher troca de parceiro.... colocando de outra forma, COM QUEM OS HOMENS ESTAVAM TRANSANDO? A resposta é simples... a pesquisa revela apenas que ou os homens mentem para cima, ou as mulheres mentem para baixo (ou ambos).
Depois vi um documentário sobre o assunto em que submetiam a moça que respondeu "seis parceiros" a um teste do polígrafo e ela assumiu que havia mentido na pesquisa.

Ok, podemos aceitar que existam os homossexuais, mas eles não são em tão grande número para fazer a diferença, não é mesmo?
Onde vi essa pérola? - Revista Veja.

Caso 2

A revista da Veja São Paulo fez matéria sobre os fumantes, e traz a seguinte sentença sobre a Itália "Apesar de 22% da população ser de fumantes, oito em cada dez italianos aprovam a lei."
Prof. Pasquale me salve: Por que o repórter usou o termo:"Apesar"?!!?
Se 22% fumam, 78% não fumam. Podemos arredondar esses 78% para 80% e dai sabemos que 8 em cada 10 não fumam. Será que esses que não fumam são os favoráveis a lei?

Caso 3

A mesma revista Veja, nos presenteia com uma matéria sobre o tamanho do pênis.
http://veja.abril.com.br/idade/exclusivo/130607/sumario.shtml
A ciência prova: tamanho não é, mesmo, documento 90

" Estudo realizado por dois urologistas ingleses mostra que 45% dos homens estão insatisfeitos com o tamanho de seu pênis. No entanto, a maior parte dos homens que avaliam ter pênis pequeno, na verdade, tem um órgão de tamanho absolutamente normal. Medições feitas em mais de 11.500 homens mostram que a maioria dos homens possui pênis com comprimento entre 14 e 16 centímetros e circunferência entre 12 e 13 centímetros – em ambos os casos, em estado ereto. Segundo o consenso entre os médicos, para ser considerado pequeno, um pênis precisa medir menos de 7 centímetros, quando ereto."

OK, se o cara tem um "pequeno príncipe" de 7 cm, melhor se matar. MAS, só para esclarecer aos repórteres. OS HOMENS NÃO SÃO LOUCOS. Ninguém gosta de ter o pênis menor que a média. Vamos dizer que 10% dos homens estão na média (e a média é 15 cm e não "entre 14 e 16", se alguém acha que esses 2 cm não fazem diferença, um estudo mostra que os homens mentem em média 2 cm a mais na altura em sites de relacionamentos (almas gêmeas, par perfeito e similares)). Bem se chutei que 10% estão bem próximos aos 15 cm (vamos aceitar uns 2mm de erro). Teremos 90% dos homens fora deste valor. Metade acima, satisfeita com o tamanho. Metade abaixo, insatisfeita com o tamanho.

Com um último detalhe... na verdade os homens são uns otimistas, afinal você se satisfaria se alguém o descrevesse como: "Uma pessoa de inteligência mediana, feiúra normal, desempenho sexual nada fora do comum, e de resto medíocre"?! - Acredite estar na média é triste.

Abs.
Carlos

OBS: E antes que alguém comente, não faço medidas do "João Grandão" desde os 12 anos, isso é uma preocupação de gente mediana.

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